Algares do Cabeço dos Alecrineiros - Parte XII


Ribeiro, José 1,2; Lopes, Samuel 1,4; Rodrigues, Paulo 1,2,3​​
14 de Maio de 2018
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  1. Grupo de Espeleologia e Montanhismo, Rua Maria Veleda, 6, 7ª Esq, 2560-218, Amadora, Portugal  
  2. Núcleo dos Amigos das Lapas Grutas e Algares 
  3. Comissão Científica da Federação Portuguesa de Espeleologia, Estrada Calhariz de Benfica, 187,  1500-124 Lisboa
  4. Wind-CAM - Centro de Atividades de Montanha, Rua Eduardo Mondelane, lj44, 2835-116 Baixa da Banheira

Introdução

No seguimento das atividades que por aqui continuamos a fazer, encontrámos mais umas quantas cavidades. Algumas prometiam muito pela corrente de ar aquando da sua abertura a superfície, noutras percebemos que pouco mais havia a fazer do que cadastrar, topografar e fotografar.

Curiosamente a cavidade que mais “luta” nos deu nesta partilha foi aquela que era visível a toda a comunidade espeleóloga que por aqui tem andado, mas que nem sequer estava no Cadastro Nacional de Cavidades, o que faz lembrar aquelas frases tantas vezes ouvidas : "De certeza que já foi explorado…. já andaram ai os fulanos….. já foi descido e termina logo ali...".

Partilhamos nesta publicação as seguintes cavidades : Algar dos Texugos, Algar Olha Outro, Algar das Mulheres, Algar do Musgo e Algar Cabeça da Cabra.

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Figura 1 - Localização dos algares tendo como referencia a localidade de Moita do Açor, assinalada com seta a vermelho.

Adverte-se também e mais uma vez que para sua proteção e da própria cavidade o espeleólogo tem de ter obrigatoriamente formação!!!​​


Algar dos Texugos
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Estava um daqueles dias frios. Regressávamos de mais uma exploração e, de regresso aos carros estacionados na Moita do Açor, aproveitámos para fazer um pouco de prospeção pelo caminho. Como quem procura sempre alcança, um pequeno buraco, uma teia de aranha que abanava e tínhamos mais um algar em perspetiva.

​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​Descrição:
​O algar abre-se agora à superfície, no que aparenta ser uma fenda de direcção NO-SE. Tem cerca de 1m de comprimento e aproximadamente 0,5m de largura. Segue-se um poço de 5m, alargando à medida que se desce. A sua base com cerca de 1,5m de diâmetro, desce em rampa no sentido SE e é composta de argila e pedras de varias dimensões, muitas fruto da desobstrução.

​​​​​​​​​​Nesse sentido temos acesso a um pequeno oco, por debaixo de um caos de blocos de boas dimensões, muito colmatado com formas de reconstrução. Ai no sentido NE, percebe-se a existência de passagem na vertical, mas muito estreita, de onde provém ar fresco, terminando ali por agora a descrição.

​Geologia:
A gruta aparenta ter um controlo estrutural por duas famílias de fraturas de direcção grosseira NW-SE e NE-SW, ambas com inclinação subvertical.


As camadas regionalmente são próximas de serem  subhorizontais. A gruta desenvolve-se em calcários da formação de Calcários mícriticos da Serra de Aire, datada dos Batoniano, Jurássico Médio. 
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Figura 2 - Algar dos Texugos, antes de ser desobstruído a superfície
(Foto: Valentina Correia - WIND)
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A gruta aparenta tratar-se  de um “vadose shaft” de acordo com a definição de Baron, 2003, sendo estas grutas com desenvolvimento essencialmente vertical que conduzem a água do epicarso para as zonas mais profundas do carso.

Presente:
​Aquilo é que foi, quais “Texugos” a esgravatar a terra e a sentir o ar quente que soprava pelo pequeno buraco que foi crescendo…. Foi uma alegria quando abrimos e deslumbrámos o poço. Depressa percebemos que, com o alargar da entrada, se perdia a noção do ar a passar. Não desanimámos e descemos nesse mesmo dia, e vimos que o algar continuava mas tinha de ser aberto com outros meios.

Outro dia, outra aventura e com a ajuda do Orlando Elias (NEL), abriu-se a passagem por debaixo do caus de blocos. Ora bolas, a verdade é que percebe-se de onde vem a corrente de ar que sai nesta altura do ano, mas é demasiado apertado e sempre a descer, afunilando o seguimento do algar.

Terminando aqui a nossa exploração, mas fica cadastrado e agora partilhado.

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Figura 3a – Planta do Algar dos Texugos ( veja aqui em PDF )
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Figura 3b – Perfil desdobrado do Algar dos Texugos  ( veja aqui em PDF )
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Figura 3c – Ficha de Equipagem do Algar dos Texugos  ( veja aqui em PDF )
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Fotos do Algar dos Texugos por José Ribeiro (GEM/WIND) e Valentina Correia (WIND).


Algar Olha Outro
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Foi em prospeção que encontrámos este algar, e foi mesmo por acaso pois a sua localização é difícil no meio de toda aquela paisagem. Reparámos que já tinha dois spits mesmo na entrada, e que era um pequeno algar.

O seu nome por nós atribuído, pois não constava de qualquer cadastro, deve-se à frase que nos ocorreu no momento em que o encontrámos aquando da prospeção: "Olha! Está ali outro!"​.
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Descrição:
Este pequeno algar abre-se à superfície num círculo, chamemos-lhe assim, que não chega a ter 0,5m de diâmetro. Segue-se um poço de 5m com um pequeno patamar e, alargando um pouco à medida que se desce, apresenta alguns blocos entalados.

No seu final, no sentido Este, apresenta um pequeno oco com algumas formas de reconstrução e no centro um pequeno poço de 2m com blocos de varias dimensões, fruto da desobstrução no patamar. Já no sentido Norte apenas há uma pequena abertura com muita argila.

No pequeno patamar, após desobstrução no sentido OSO, há uma pequena passagem muito apertada que dá acesso a um ressalto de 2m onde se nota no tecto uma chaminé com blocos, dando a perceber uma possível abertura à superfície no passado.

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Figura 4 - Algar Olha Outro (Foto: José Ribeiro - GEM/WIND)
Segue-se uma rampa de calhaus e argila com inclinação acentuada no sentido ONO. Aí entramos numa pequena sala com tecto irregular cujo chão apresenta bastantes blocos e argila, sendo este também irregular com algumas reentrâncias. Na zona mais a ONO a  parede está coberta com um manto de calcite onde se tem acesso a novo poço de 5m, apertado no inicio mas mais largo na base. As paredes são a continuação do manto calcítico com diversas formas de reconstrução e a sua base é de argila com algumas pedras, formando um pequeno lago.

Geologia:
A gruta aparenta ter um controlo estrutural por duas famílias de fraturas de direção grosseira WNW-ESE e ENE-WSW, ambas com inclinação subvertical. As camadas regionalmente são próximas do subhorizontal.

O desenvolvimento é em calcários da formação de Calcários mícriticos da Serra de Aire, datada do Batoniano, Jurássico Médio, e aparenta tratar-se de um “vadose shaft” de acordo com a definição de Baron, 2003, sendo estas grutas com desenvolvimento essencialmente vertical que conduzem a água do epicarso para as zonas mais profundas do carso.
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Presente:
Deu bastante trabalho a abertura daquela pequena passagem, mas valeu a pena deslumbrar o desconhecido. Pena foi que ao fim de alguns metros não havia forma de continuar.

Bom, ficou por nós aqui o trabalho feito e registado. Saímos e seguimos, pois o dia ainda estava a começar. Aproveitámos para referenciar um pequeno oco que encontrámos pelo caminho e partilhá-lo também para conhecimento geral. Chamámos-lhe "Buraco do Fim do Ano", sendo a sua localização:  39.51756 /  -8.81420​
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Fotos do Buraco do Fim do Ano por Samuel Lopes (WIND)
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Figura 5a – Planta do Algar Olha Outro ( veja aqui em PDF )
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Figura 5b – Perfil desdobrado do Algar Olha Outro ( veja aqui em PDF )
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Figura 5c – Ficha de equipagem do Algar Olha Outro ( veja aqui em PDF )
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Fotos do Algar Olha Outro por José Ribeiro (GEM/WIND)


Algar das Mulheres
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Estava ser um dia de prospeção em cheio, é o que faz ter malta com vontade de procurar, e o trabalho da frutos. Assim encontrámos este algar.

​Descrição:
O algar abre-se à superfície com uma boca de cerca de 3m de comprimento e 1,5m de largura. Acede-se à sua base num ressalto de 3m, sendo esta um pouco mais pequena que a boca do algar, muito por causa de um bloco que ali se encontra.

O algar segue por uma pequena passagem no sentido NO. Aí encontramos uma pequena rampa de argila seguindo-se um ressalto de 2m sempre muito apertado devido à presença de alguns blocos ali entalados e à própria estrutura do algar.

Na sua base consegue-se ver um poço muito apertado com cerca de 4m, notando-se uma pequena probabilidade de continuação na sua base, mas muito estreita.

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Figura 6 - Algar das Mulheres  (Foto: Valentina Correia - WIND)
​​​​​​​​Geologia:
A gruta aparenta ter um controlo estrutural por duas famílias de fraturas de direção grosseira NW-SE e NE-SW, ambas com inclinação subvertical. As camadas regionalmente são próximas de serem subhorizontais. A gruta desenvolve-se em calcários da formação de Calcários mícriticos da Serra de Aire, datada dos Batoniano, Jurássico Médio.  A gruta aparenta tratar-se  de um “vadose shaft” de acordo com a definição de Baron, 2003, sendo essas grutas com desenvolvimento essencialmente vertical que conduzem a água do epicarso para as zonas mais profundas do carso.

​​​​​Presente:
E já está, mais um cadastrado e partilhado. A obra avança.


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Figura 7a – Planta do Algar das Mulheres ( veja aqui em PDF )
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Figura 7b – Perfil desdobrado do Algar das Mulheres ( veja aqui em PDF )
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Fotos do Algar das Mulheres por Valentina Correia (WIND)


Algar do Musgo
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Este foi daqueles algares encontrado enquanto esperávamos pela saída dos camaradas que saiam de outra cavidade. Ali estava ele à nossa espera, já tinha aquele número azul a marcá-lo mas não constava em nenhum cadastro. O seu nome deve-se ao muito musgo nas suas paredes de entrada.​

​​Descrição:
O algar situa-se num campo de lapiás bastante irregular e nesta altura coberto de vegetação. A sua boca quase em forma de quadrado tem cerca de 2x2m.

Segue-se um pequeno poço de 2m, a base é mais larga com blocos de várias dimensões e argila.

Uma pequena abertura no sentido Norte deu acesso, após uma desobstrução, a um pequeno poço de 4m com algumas formas de reconstrução no tecto, e o chão de argila com vários calhaus, fruto também da desobstrução.

Na zona mais a Norte encontramos um pequeno patamar com algumas estalactites e parede coberta de calcite, terminando aí o pequeno algar.
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Figura 8 - Algar do Musgo  (Foto: Pedro Frade - C.E.A.E.) 

Geologia:
A gruta aparenta ter um controlo estrutural por duas famílias de fraturas de direção grosseira N-S e E-S, ambas com inclinação subvertical. As camadas regionalmente são próximas de serem subhorizontais. A gruta desenvolve-se em calcários da formação de Calcários mícriticos da Serra de Aire, datada dos Batoniano, Jurássico Médio. A gruta aparenta tratar-se de um “vadose shaft” de acordo com a definição de Baron, 2003, sendo essas grutas com desenvolvimento essencialmente vertical que conduzem a água do epicarso para as zonas mais profundas do carso.

Presente:
A desobstrução foi fácil, bastou escavar um pouco e estávamos a olhar para o poço que se seguia. É sempre aquele misto de alegria e adrenalina, mas infelizmente ficou mesmo por ali.
Pensemos positivo, aquele pequeno canto final é bastante bonito e este já esta, mais um!!!

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Figura 9a – Planta do Algar do Musgo ( veja aqui em PDF )
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Figura 9b – Perfil desdobrado do Algar do Musgo ( veja aqui em PDF )
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Figura 9c – Ficha de equipagem do Algar do Musgo ( veja aqui em PDF )
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Fotos do Algar do Musgo por José Ribeiro (GEM/WIND)


Algar Cabeça da Cabra
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Estávamos nós em mais um dia de atividade e acertadamente decidimos neste dia ir ali descer aquele algar que tanta vez olhámos. Fica mesmo ali ao lado do algar Alecrineiros Sul, até a pequena dolina da entrada é idêntica.

Bom, chamou-nos logo a atenção a presença de uma caveira de cabeça de cabra, daí o nome que lhe demos. Mais tarde viemos a constatar que estava referenciado no Cadastro de São Bento como A84, com a sinalética de algar por explorar, partilhado por Sérgio Medeiros do GPS.

Equipado, descido, topografado e logo nos chamou a atenção a pequena abertura ali a meio do poço por onde passava o ar. Aí estão eles a esgravatar e a explorar o desconhecido, o buraco alargava e ansiedade também... Corrente de ar forte, duas possíveis continuações, e numa delas já se deslumbrava um poço!

​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​Descrição:​​​​​​​​​​​
Situado numa pequena dolina, o algar abre-se numa janela, se assim lhe podemos chamar, com cerca de 2m de largura e pouco mais de 1m de altura. Segue-se um poço de 12m com pequenas plataformas sendo a maior um grande bloco ali “entalado”. No fundo com inclinação no sentido ENE, vários calhaus e muita argila.

Numa dessas plataformas e a cerca de 9m de profundidade, após desobstrução no que é uma junta de estratificação, acede-se a um pequeno tramo irregular com cerca de 1m de altura, com o chão coberto de argila e calhaus de várias dimensões. 

Ao cabo de 4m bifurca, e seguindo na direção NNE acede-se por uma pequena janela a um patamar que é a cabeceira de um poço de 7m, dando acesso a uma sala irregular com inclinação no sentido inicial SO, rodando de seguida para ONO.
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Figura 10 - Algar ​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​Cabeça da Cabra (Foto: Helena Mafalda - WIND)
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Aí, ultrapassando um poço de 3m, numa plataforma, acede-se a novo poço de 4m, que após desobstrução revelou novo poço de 9m. Este começa apertado mas alarga até uma zona em que, na direção ENE, apresenta uma zona de caos de blocos e bastante argila. O restante poço à medida que se desce volta a apertar e termina numa zona muito apertada, sendo aí impossível a progressão.

Regressando à bifurcação na junta de estratificação e no sentido O, após 2 m, estamos na cabeceira de poço de 7m. Na sua base no sentido SO, um poço de 6m, sinuoso e apertado de onde se sente corrente de ar mas que aparentemente ligaria a tramo inferior. Já no sentido O relativamente à cabeceira do poço de 7m, um ressalto de 2m a que demos o nome “pescoço de cavalo” apresenta uma boa corrente de ar. Segue-se um poço de 23m de apertada com uns blocos ali bem entalados.

À medida que descemos, o poço alarga e ao chegarmos a um bloco que “mexe mas não sai do sitio“ temos uma descontinuidade que se desenvolve no sentido Este. Mais abaixo a mesma descontinuidade, agora maior e mais funda, prolonga-se cerca de 6m entre “altos e baixos”.

Continuando a descer o poço, após uma pequena “prateleira” temos acesso a grande bloco. Descendo chegamos a uma sala, de inicio em rampa de cascalheira e depois aplanada, com cerca de 10m de comprido e uma média de 2m de largo. Tem cerca de 10m de alto e no canto mais a Oeste é mais alta, zona de onde provém escorrências de água que faz com que exista na base dessa zona um lago que escorre para a zona central da sala, onde se infiltra por um poço muito estreito.  As paredes desta sala são irregulares e com as escorrências dão-lhe um aspeto muito bonito.

Regressando ao cimo do grande bloco temos uma fenda no sentido NO, esta “apertadinha”, com cerca de 3m de altura que dá acesso a um poço de 22m. De inicio tem cerca de 1,5m de diâmetro mas um pouco mais abaixo abre bastante. Descendo, “aterra-se” numa prateleira com pequeno gours e carregada de pérolas de gruta de várias formas e dimensões e na generalidade já coladas com calcite. No sentido NO temos uma sala onde se vai descendo por patamares, com o chão cheio de blocos de várias dimensões, e onde encontramos a meio uma pequena abertura de onde se vê o tramo inferior.

Regressando à “prateleira”, continuando a descer o poço, no sentido ESE demos com uma sala de boas dimensões com pequeno lago ao fundo, que recebe água proveniente da sala que fica por de cima, a qual tem o outro pequeno lago. As paredes são irregulares e forradas com alguma calcite.

Voltando ao P 22 e descendo até a sua base, abre-se no sentido ONO uma sala, se assim lhe podemos chamar. O chão é um grande bloco que ali ficou entalado, a ESE existe um pouco mais abaixo fendas com pequeno desenvolvimento e muita argila. Já no sentido ONO o tecto é bastante irregular subindo bastante na zona mais a ONO. Aí existe um pequeno patamar que após ser “conquistado” dá acesso a uma descontinuidade de 2 níveis sobrepostos no sentido SSE, zona bastante irregular com 2 pequenos poços de 7 e 5 metros. As paredes em algumas zonas estão cobertas de calcite.

Novamente na base do P 22, no “grande bloco ali entalado”, no sentido ONO vemos novo poço de 13m do qual se chega a zona mais funda do algar, de chão irregular e com muita cascalheira e argila. No canto a SE desta zona, debaixo de uns blocos e após desobstrução, chega-se a um pequeno poço de 3m. Na zona mais a NO deste tramo, numa pequena fenda por onde se avança alguns metros até não ser humanamente possível continuar, existe um pequeno oco no sentido SO mas que não continua. Já, no sentido ONO temos uma fenda "meio poço, meio destrepe" muito apertada com cerca de 5 metros de onde se deslumbra novo oco. Pela direção e proximidade, provavelmente ligará a alguma chaminé do algar Alecrineiros Sul.

​Geologia:

A gruta aparenta ter um controlo estrutural por três famílias de fraturas de atitude aproximada N80W/vertical, N60W/vertical e N70E/vertical. As camadas observadas localmente têm atitude subhorizontal. A gruta desenvolve-se em calcários da formação de Calcários mícriticos da Serra de Aire, datada dos Batoniano, Jurássico Médio. A gruta aparenta tratar-se de um “vadose shaft” de acordo com a definição de Baron, 2003, sendo estas grutas com desenvolvimento essencialmente vertical que conduzem a água do epicarso para as zonas mais profundas do carso.

Presente:
Muita alegria nos deu o descobrir de mais uma passagem, mais um poço, e foram precisas algumas saídas para estabilizarmos as passagens, mas faz parte da vida do espeleólogo. Mais alegria nos deu quando levámos uma nova fornada de espeleólogos e descrevemos cada passo desta nossa aventura. 

Mas nem tudo são rosas, ficámos nos -70m pois a desobstrução mostrava-se demasiado “hercúlea” e a proximidade do algar Alecrineiros Sul, segundo a topografia, não o justifica.

Mas, na verdade, ele só tinha 12m de desnível conhecido e agora tem -71m, e ficou ali realizado mais um pouco do nosso projeto.

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Figura 11a – Planta do Algar Cabeça da Cabra ( veja aqui em PDF )
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Figura 11b – Perfil desdobrado do Algar Cabeça da Cabra ( veja aqui em PDF )
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Figura 11c – Ficha de equipagem do Algar Cabeça da Cabra ( veja aqui em PDF )
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Figura 11d – Pormenor da sobreposição de Poços e Diaclases ( veja aqui em PDF )
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Fotos do Algar Cabeça da Cabra por Samuel Lopes (GEM/WIND)


E já está, mais uma publicação do nosso projeto e aos poucos vamos chegar aos 100 algares, pois já temos mais “material” em mãos e muito trabalhinho nos espera!!!

Abraço e até a próxima!
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