
26 de Dezembro de 2017
Ribeiro, José 1,2; Lopes, Samuel 1,4; Rodrigues, Paulo 1,2,3
- Grupo de Espeleologia e Montanhismo, Rua Maria Veleda, 6, 7ª Esq, 2650-186, Amadora, Portugal
- Núcleo dos Amigos das Lapas Grutas e Algares
- Comissão Científica da Federação Portuguesa de Espeleologia, Estrada Calhariz de Benfica, 187, 1500-124 Lisboa
- Wind-CAM - Centro de Atividades de Montanha, Rua Eduardo Mondelane, lj44, 2835-116 Baixa da Banheira
Introdução
Estamos de volta! Após este tempo quente que nos tem acompanhado e que por diversos motivos não nos tem permitido desenvolver este nosso projeto com a celeridade que gostaríamos, partilhamos desta vez 5 algares na zona a Norte dos Alecrineiros. Todos eles referenciados no Cadastro de São Bento, os trabalhos de campo levaram-nos inclusivé a detetarmos mais outros tantos algares não referenciados. É assim o caminho, faz-se caminhando.... não esquecendo também que alguma da nossa disponibilidade tem sido canalizada para o Algar do Bafo, Bafinho, Bafão, que continua em exploração.
A saber, apresentamos os algares: Alecrineiros I, Alecrineiros II, Bivaque do Caracol, Algar Petit Trou e Alecrineiros 5.
Algar Alecrineiros I
Com os carros estacionados ali na Moita do Açor subimos em direção ao Marco Geodésico e entre alguns que fomos marcando com o GPS e outros que já estavam marcados escolhemos este pela sua grande abertura a superfície.

Descrição:
A boca do algar é grande, tendo cerca de 12m de comprimento por 3m de largura, seguindo-se um poço de 12m, e acende-se por aí à base do poço. Ai, no lado ONO, existem grandes blocos sobrepostos.
A base desce em rampa no sentido ESE, terminando numa sala, se assim lhe podemos chamar, em que a altura do tecto é apenas um pouco mais baixa que a altura do algar.
O chão é um misto de blocos de diversas medidas e argila com alguma flora.
Existem algumas formas de reconstrução na zona mais a ESE mas já muito fósseis.
Geologia:A gruta apresenta um controlo estrutural por uma fratura de direção grosseira NW-SE e inclinação subvertical. As camadas são subhorizontais. A gruta desenvolve-se em calcários da formação de Calcários Bioclásticos do Codaçal datado do Batoniano, Jurássico Superior. A gruta aparenta tratar-se de um "vadose shaft" de acordo com a definição de Baron, 2003, sendo grutas com desenvolvimento essencialmente vertical que conduzem a água do epicarso para as zonas mais profundas do carso.
Presente:
É interessante este tipo de algares, a sua abertura é imponente e bonita e em boa companhia é sempre tempo bem empregue, ficando assim mais um algar confirmado e topografado.
Fotos do Algar dos Alecrineiros I por António Afonso (ARCM) e Duarte Reis













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Algar Alecrineiros II
Em direção ao Marco Geodésico com GPS na mão e facilmente demos com o algar, pois passa mesmo ao lado um percurso pedestre e é uma "cratera" de boas dimensões.

Descrição:A boca do algar, de boas dimensões, tem cerca de 8m de comprimento, e na sua zona mais larga cerca de 5m.
Segue-se um poço de 12m. A sua base tem praticamente a configuração da boca, e no canto mais alto a N, tem um pequeno patamar que se alcança subindo uns blocos que ali se encontram.
A restante base é uma rampa com inclinação no sentido ESE. A base é um misto de blocos de varias dimensões e argila.
Geologia:A gruta apresenta um controlo estrutural por fraturas de direção grosseira NW-SE e e NE-SW, de inclinação subvertical. As camadas são subhorizontais.
A gruta desenvolve-se em calcários da formação de Calcários Mícriticos da Serra de Aire datado do Batoniano, Jurássico Superior. A gruta aparenta tratar-se de um "vadose shaft" de acordo com a definição de Baron, 2003, sendo grutas com desenvolvimento essencialmente vertical que conduzem a água do epicarso para as zonas mais profundas do carso.Presente:Estes algares são autenticas "crateras" , têm a sua beleza, e que fresco que faz lá em baixo nos dias de calor. Bom, mas o dias avançam e fomos em busca de mais...
Fotos do Algar Alecrineiros II por Pedro Bernardes











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Fotos do Algar Alecrineiros II por António Afonso (ARCM)










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Bivaque do Caracol
Bom, seguindo o GPS fomos em busca deste, se lhe podemos chamar algar, e começamos a ficar entusiasmados com a proximidade de uma grande dolina que ali se encontra. Por ali andámos até que o encontrámos. Corrigimos as coordenadas pois estavam um pouco afastadas, e mãos à obra!

Descrição:
A boca do pequeno algar, ou algarocho, tem pouco mais de meio-metro de diâmetro, pela qual se desce um pequeno poço de 2m. A sua base tem aproximadamente 1m de diâmetro, sendo de pedras e argila.
Num recanto a SE tem uma pequena abertura entulhada, mas por onde não se sente qualquer passagem de ar.
Geologia:
O algarocho abre-se em calcários da formação de Calcários Micríticos da Serra de Aire, datados do Batoniano, Jurássico Médio. As camadas são subhorizontais.
Presente:Os pequenos também são importantes, e este ficou cadastrado e topografado, pois para a próxima quem por aqui andar já sabe o que encontrar. É para isso que serve a partilha
Fotos do Algar Bivaque do Caracol por Pedro Bernardes, António Afonso (ARCM) e José Ribeiro (GEM/WIND)















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Algar Petit Trou
Este pequeno algar não fica muito longe do que apresentámos anteriormente e chegamos a ele graças a informação partilhada no Cadastro de São Bento pelos camaradas do SSAC (Societe Spéleo Archéologique de Caussade).

Descrição:
O algar encontra-se tapado com alguns blocos que após visita se devem voltar a colocar, pois a boca é pequena com aproximadamente 600mm por 400mm, sendo de difícil visualização.
Verifica-se trabalho de desobstrução numa das laterais junto a boca do algar, certamente dos camaradas do SSAC.
Segue-se um poço apertado com 7m, que após um pequeno patamar, com formas de reconstrução, volta a apertar acedendo-se então a base. Nesse ponto encontra-se um pequeno cone de dejeção, em grande parte fruto da desobstrução.
Ai o algar desenvolve-se em dois pequenos tramos no seguimento de uma descontinuidade no sentido NO - SE.
No tramo a SE, a zona mais alta é estreita com muitas formas de reconstrução, já junto a base consegue-se progredir cerca de 6m com uma altura nunca superior a meio metro, num solo coberto de argila e calhaus, nas paredes verifica-se cristais em "couve flor". Já no sentido NO, desce um pouco em rampa com muitos calhaus e argila, também com muito pouca altura terminando 3 m, mais a frente.Geologia:O algar aparenta ser estruturalmente controlado sobretudo por uma fratura de direção grosseira NW-SE e inclinação subvertical. A gruta desenvolve-se, em calcários da formação de Calcários Bioclásticos do Codaçal, datada do Batoniano do Jurássico Médio.
A gruta aparenta tratar-se de um "vadose shaft" de acordo com a definição de Baron, 2003, sendo grutas com desenvolvimento essencialmente vertical que conduzem a água do epicarso para as zonas mais profundas do carso.Presente:É interessante a posição deste algar em relação à grande dolina que ali perto se encontra. Sem dúvida que numa breve atividade de prospeção teremos aqui perto agradáveis descobertas. Bom, fica mais este registo para o nosso trabalho e avancemos para o próximo.
Fotos do Algar Petit Trou por José Ribeiro (GEM/WIND) e Pedro Bernardes






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Algar Alecrineiros 5
Aproveitamos com a ajuda do GPS e os pés ao terreno regressar a este algar já por nós explorado, mas que precisava de algumas retificações no esboço topográfico.
Assim, já com conhecimento do que nos esperava a tarefa foi fácil e rápida.

Descrição:A boca do algar tem cerca de 700mm por 500mm, e é bem visível pois fica num campo de lapiáz que desce o monte em escada. A boca apesar de pequena deixa antever o vazio.
Segue-se um poço de 9m, a que se chega a um patamar no sentido NO, com muita argila no solo. Este tramo tem cerca de 6m e no seu final encontram-se algumas formas de reconstrução. Já no sentido oposto a SE, existe um pequeno patamar, fruto provavelmente da descontinuidade.
Após uma rampa, continua-se a descer agora por um poço com 8m, cuja base é formada por vários blocos de diversas dimensões. Daí, e no sentido ENE, desce-se uma pequena rampa e deslumbra-se um poço de 4m, forrado de formas de reconstrução. Na sua base agora com blocos de maiores dimensões observa-se uma pequena rampa, também com muita calcite e por onde se sente algum fresco, terminando ali o algar.Geologia:A gruta apresenta um controlo estrutural sobretudo por fraturas de direção grosseira NW-SE e e inclinação subvertical. Esta desenvolve-se em calcários da formação de Calcários Mícriticos da Serra de Aire datado do Batoniano, Jurássico Superior. A gruta aparenta tratar-se de um "vadose shaft" de acordo com a definição de Baron, 2003, sendo grutas com desenvolvimento essencialmente vertical que conduzem a água do epicarso para as zonas mais profundas do carso.Presente:Esta zona mais a Norte do Cabeço dos Alecrineiros promete. Mais algares por aqui encontraremos certamente, uns fruto da partilha e outros, claro, da prospeção.
Fotos do Algar Alecrineiros 5 por Samuel Lopes (GEM/WIND)




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Tem sido uma grande alegria ver o nosso projeto a desenvolver-se, a crescer. Ao frio, à chuva ou ao sol, sabemos lá nós, é como estiver! Nós vamos, nós gostamos e acreditamos que conseguimos, assim se faz o caminho, não com as frases de outros, copiadas de um qualquer livro, mas sim caminhando, crescendo, aproveitando cada momento que estamos neste belo canto, como se do ultimo momento se tratasse. É assim que nos sentimos em cada publicação que partilhamos, felizes e com garra para continuar!!!
Bibliography
- Manupella, G., Barbosa, B., Azerêdo, A.C., Carvalho J., Crispim, J.A., Machado, S.; Sampaio, J.; (2006). Carta Geológica de Portugal - Torres Novas, Folha 27-C, à escala 1:50000, e Notícia explicativa, Instituto Nacional de Engenharia, Tecnologia e Inovação, Lisboa.
- Baroñ, Ivo (2003) – Speleogenesis along subvertical joints: A model of plateau karstshaft development: A case study: the Dolný Vrch Plateau (Slovak Republic), Cave&Karst Science 29 (1), 2002, 5-12. 010