
12 de Agosto de 2019
Ribeiro, José 1,2; Lopes, Samuel 1,4; Rodrigues, Paulo 1,2,3
- Grupo de Espeleologia e Montanhismo, Rua Maria Veleda, 6, 7ª Esq, 2650-186, Amadora, Portugal
- Núcleo dos Amigos das Lapas Grutas e Algares
- Comissão Científica da Federação Portuguesa de Espeleologia, Estrada Calhariz de Benfica, 187, 1500-124 Lisboa
- Wind-CAM - Centro de Atividades de Montanha, Rua Eduardo Mondelane, lj44, 2835-116 Baixa da Banheira
Introdução
Ora aqui estamos nós, desta vez andamos na zona dos algares conhecidos como "Pena Traseira". Durante uma saída de prospeção identificámos 6 cavidades, umas estavam no cadastro de São Bento, outras nem por isso. Certamente mais haverá por aqui... Publicamos agora os resultados dos trabalhos em 3 algares, a saber: Algar Pena Traseira 1, Algar Pena Traseira 5 e Algar Pena Traseira 6.
Algar Pena Traseira 1

Este algar conhecido por muitos espeleólogos, foi considerado durante uns anos valentes um dos mais profundos do pais. Tem um poço direto de 126m, terminando numa estreiteza aos -152m.
No seguimento do nosso projeto, que muito se baseia na partilha do conhecimento para que todos saibam da riqueza que temos e sobretudo para que os trabalhos não se repitam e possam ser canalizados para outras "aventuras", partilhamos um trabalho realizado pelo Paulo Rodrigues e Pedro Robalo na altura inseridos no Grupo de São Bento.
Geologia:
As camadas regionalmente têm direção aproximada NW-SE e inclinação suave para Sul. A boca da gruta abre-se em calcários da formação de Calcários Bioclásticos do Codaçal da Serra de Aire, datada do Batoniano, Jurássico Médio. Dada a profundidade da gruta esta deve atravessar completamente a formação acima referida, prolongar-se pela formação de Calcários de Chão das Pias, do Bajociano inferior a Bajociano, e possivelmente atingir o topo da formação de Margas e Calcários Margosos de Zambujal, datada do Aaleniano inferior a Bajociano inferior.
A gruta aparenta tratar-se de um “vadose shaft” de acordo com a definição de Baron, 2003, sendo estas grutas com desenvolvimento essencialmente vertical que conduzem a água do epicarso para as zonas mais profundas do carso.
Presente:
Em baixo partilhamos também um croqui de equipagem realizado pelos nossos amigos do S.S.A.C. (Société Spéléo -Archéologique de Caussade), que muito nos têm ajudado com a partilha dos relatórios sempre que vêm ao nosso país.
Podem ser encontradas também algumas fotos do algar nos relatórios de 2009 e 2012, se bem que aquele poço de 126m merecia uma bela foto, mas temos tanto que fazer...
Algar Pena Traseira 5
Na atividade de prospeção, quando o Alexandre Justo o encontrou, ficámos muito animados. Não se percebia bem o que este algar nos ia dar...

Descrição:
O algar abre-se à superfície com uma boca de aproximadamente 1,5m por 0,5m, no sentido ONO – ESE, com um grande calhau ali entalado que divide a sua entrada. Segue-se um poço de 9m com base mais espaçosa de cascalheira e argila, e desenvolve-se um pouco no sentido SSO.
Geologia:
A gruta aparenta ter um controlo estrutural por uma fratura de direção grosseira NW-SE, com inclinação subvertical. As camadas regionalmente têm direção aproximada NW-SE e inclinação suave para Sul.
A gruta desenvolve-se em calcários da formação de Calcários Bioclásticos do Codaçal da Serra de Aire, datada do Batoniano, Jurássico Médio.
A gruta aparenta tratar-se de um “vadose shaft” de acordo com a definição de Baron, 2003, sendo estas grutas com desenvolvimento essencialmente vertical que conduzem a água do epicarso para as zonas mais profundas do carso.
Presente:
Paciência, este prometia mais, mas como acontece não poucas vezes, deu pouco. Siga, já está arrumado, nada nos demove!!!
Fotos do Algar Pena Traseira 5 por Sérgio Carvalho (GEM)







Algar Pena Traseira 6

No mesmo dia, numa pequena fenda que apesar de não ter corrente de ar, a pedrita caía um pouco e dava a perceber um oco, tínhamos que ali voltar…
Descrição:
O algar abre-se à superfície com uma boca de aproximadamente 0,4m de diâmetro (após desobstrução), seguindo-se um poço de 6m.
A base com aproximadamente 1,5m por 1m no sentido OSO-ENE, é de cascalheira e argila, terminando ai este pequeno algar.

(Foto: Sérgio Carvalho - GEM)
Geologia:As camadas regionalmente têm direção aproximada NW-SE e inclinação suave para Sul. A gruta desenvolve-se em calcários da formação de Calcários Bioclásticos do Codaçal da Serra de Aire, datada do Batoniano, Jurássico Médio.
A gruta aparenta tratar-se de um “vadose shaft” de acordo com a definição de Baron, 2003, apresentando este tipo de grutas um desenvolvimento essencialmente vertical que conduz a água do epicarso para as zonas mais profundas do carso.Presente:Ora, foi entusiasmante a "lufa, lufa" a tirar argila e calhau. Deu para todos usarem o mata-vacas e os fulminantes, mas o algar em si é mesmo pequeno. Paciência, e fica mais um...
Fotos do Algar Pena Traseira 6 por Sérgio Carvalho (GEM) e Filipe Castro (GEM)



















Amigos, assim partilhamos mais um pouco do nosso trabalho. Brevemente publicaremos mais 3 algares daqui, deste belo campo de lapiás, que é a zona dos Pena Traseira.Até breve! Texto: José RibeiroGeologia: Paulo RodriguesEdição: Vitor Toucinho