Artigo_Alecrineiros17
Algares do Cabeço dos Alecrineiros - Parte XVII

22 de Setembro de 2019

Ribeiro, José 1,2; Lopes, Samuel 1,4; Rodrigues, Paulo 1,2,3

  1. Grupo de Espeleologia e Montanhismo, Rua Maria Veleda, 6, 7ª Esq, 2650-186, Amadora, Portugal
  2. Núcleo dos Amigos das Lapas Grutas e Algares 
  3. Comissão Científica da Federação Portuguesa de Espeleologia, Estrada Calhariz de Benfica, 187,  1500-124 Lisboa
  4. Wind-CAM - Centro de Atividades de Montanha, Rua Eduardo Mondelane, lj44, 2835-116 Baixa da Banheira

 

Introdução

O prometido é devido, mais 3 algares na zona onde os algares são conhecidos como Pena Traseira. Nesta publicação partilhamos os algares Pena Traseira 2, Pena Traseira 3 e Pena Traseira 4. Certamente mais algares aqui vão ser encontrados, a seu tempo...


Figura 1 - Localização dos algares, tendo como referência o grande campo de lapiás ali existente.

Algar Pena Traseira 2
Este algar também é bem conhecido e certamente já visitado por muitos espeleólogos. Como se vê na figura 2, a sua entrada é enganadora devido à cobertura de vegetação, que pode provocar um bom "tralho" se não se tiver cuidado.

Figura 2 - Entrada do Algar Pena Traseira 2
(Foto: Sérgio Carvalho - GEM)

Com a cavidade identificada, fizemos um pouco de pesquisa e percebemos que, inserido num trabalho do grupo de São Bento, foi feita uma exploração e desobstrução na fenda existente na base do poço de 54m. Aí, numa pequena passagem horizontal em posição difícil, terá que se fazer uma desobstrução para se ter acesso a um novo poço.
O relato do trabalho efetuado pode ser encontrado numa publicação do NALGA de 10-04-2009, onde também está disponível um pequeno conjunto de fotografias da expedição. Participaram Paulo Campos (ARCM), Diana  Campos (ARCM), Gonçalo (ARCM) e André (LPN-CEAE).
Para mais informação sobre a atividade de 2009 siga esta ligação:
https://nalga.wordpress.com/2009/04/28/regresso-a-sbento-alecrineiros-sul-e-pena-traseira-ii-o-gesb-faz-novas-descobertas/

Figura 3 - Vista do exterior junto à entrada do Algar Pena Traseira 2 (Foto: Sérgio Carvalho - GEM)

 
Geologia:
A gruta aparenta ter um controlo estrutural sobretudo por uma família de fraturas de atitude E-W /subvertical. As camadas regionalmente têm direção aproximada NW-SE e inclinação suave para Sul. A gruta desenvolve-se em calcários da formação de Calcários Bioclásticos do Codaçal, datada do Batoniano, do Jurássico Médio.
A gruta aparenta tratar-se  de um “vadose shaft” de acordo com a definição de Baron, 2003, sendo estas grutas com desenvolvimento essencialmente vertical que conduzem a água do epicarso para as zonas mais profundas do carso.
Presente:Aproveitamos agora para publicar a topografia feita na altura pois não há necessidade de se repetir trabalhos, e um dos objetivos deste projeto não é "esburacar" tudo o que aparece, mas sim partilhar.


Algar Pena Traseira 2
Figura 4 – Planta e Corte do Algar Pena Traseira 2, com croqui de equipagem

Adverte-se também e mais uma vez que para sua proteção e da própria cavidade o espeleólogo tem de ter obrigatoriamente formação!!!Fotos do Algar Pena Traseira 2 por Sérgio Carvalho (GEM)

Figura 3 - Vista do exterior junto à entrada do Algar Pena Traseira 2 ​(Foto: Sérgio Carvalho - GEM)

Figura 2 - Entrada do Algar Pena Traseira 2 ​(Foto: Sérgio Carvalho - GEM)


Algar Pena Traseira 3
Por ali andámos, enfiados nas fendas fundas deste campo de lapiás, e chamou-nos à atenção a construção de pedra ali colocada. Estava precisamente a tapar a entrada do algar, para proteção dos animais certamente.

Figura 5 - Entrada do Algar Pena Traseira 3, já sem as lajes de pedra a tapar (Foto: Sérgio Carvalho - GEM)

Descrição:O algar abre-se à superfície numa fenda no sentido O-E.  A sua entrada tem cerca de 1,5m de comprimento e na sua zona mais larga cerca de 0,5m. Segue-se um poço de 32m, sendo o seu inicio sinuoso e com um pequeno patamar, se assim lhe podemos chamar, um pouco mais abaixo. Alarga à medida que se desce. Nas paredes vêm-se muitas formas de reconstrução, e aqui e ali grandes blocos entalados.
Mais abaixo, sensivelmente a 10m da base, um patamar com formas de reconstrução e grandes blocos. A base de cascalheira tem inclinação no sentido O, terminando uns metros mais à frente em argila, onde se nota o acumular de água em tempos mais chuvosos. As paredes aqui são de facto muito bonitas com belos mantos calcíticos. Até aquele grande bloco que divide um pouco a base tem recantos de muita beleza.
Geologia:A gruta aparenta ter um controlo estrutural sobretudo por uma família de fraturas de atitude E-W /subvertical. As camadas regionalmente têm direção aproximada NW-SE e inclinação suave para Sul.
A gruta desenvolve-se em calcários da formação de Calcários Bioclásticos do Codaçal da Serra de Aire, datada do Batoniano, Jurássico Médio.
A gruta aparenta tratar-se  de um “vadose shaft” de acordo com a definição de Baron, 2003, sendo estas grutas com desenvolvimento essencialmente vertical que conduzem a água do epicarso para as zonas mais profundas do carso.
Presente:E assim foi, este diferente daqueles que tínhamos encontrado. Aliás, todos eles são diferentes e têm a sua própria beleza. Este deu-nos muito gosto descer o poço em forma de "garrafão". No final voltámos a colocar aquelas lajes de pedra que tapam a sua entrada.


Figura 6a – Planta do Algar Pena Traseira 3

Figura 6b – Perfil desdobrado do Algar Pena Traseira 3

Figura 6c – Ficha de Equipagem do Algar Pena Traseira 3

Fotos do Algar Pena Traseira 3 por Sérgio Carvalho (GEM)

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Algar Pena Traseira 4

Figura 7 - Entrada do Algar Pena Traseira 4 (Foto: Jorge Faustino - GEM)

Este não engana muito... vamos lá colocá-lo no cadastro e topografá-lo, se bem que é "apertadinho" e sem corrente de ar.
Descrição:
O algar abre-se à superfície com boca estreita no sentido NO-SE, com cerca de 0,7m por 0,3m, seguindo-se um poço sempre estreito com 6m. No sentido NO abre um pouco, mas nunca alargando. O mesmo sucede no sentido SE.
A base com argila tem no sentido NO uma abertura para novo poço de 2m, ainda mais estreito, de onde se percebe existir possível continuação identificada na topografia.
Geologia:
A gruta aparenta ter um controlo estrutural por uma fratura de direção NW-SE/subvertical. As camadas regionalmente têm direção aproximada NW-SE e inclinação suave para Sul. A gruta desenvolve-se em calcários da formação de Calcários Bioclásticos do Codaçal, datada do Batoniano, do Jurássico Médio.
A gruta é basicamente uma fratura alargada, podendo no entanto tratar-se de um “vadose shaft” de acordo com a definição de Baron, 2003, mas com estrutura muito simples, sendo estas grutas com desenvolvimento essencialmente vertical que conduzem a água do epicarso para as zonas mais profundas do carso.Presente:Este é realmente apertado e pequeno. Na possivel continuação não se sente corrente de ar, se bem que por vezes é enganador. Percebe-se que a base desse pequeno poço avança no sentido NNE, mas muito apertado, tem de ser uma desobstrução "hercúlea", e até lá chegar…


Figura 8a – Planta do Algar Pena Traseira 4

Figura 8b – Perfil desdobrado do Algar Pena Traseira 4

Figura 8c – Ficha de Equipagem do Algar Pena Traseira 4

Fotos do Algar Pena Traseira 4 por Sérgio Carvalho (GEM)

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Assim partilhamos mais um pouco do nosso trabalho. Brevemente publicaremos mais 3 algares deste belo campo de lapiás que é a zona dos Pena Traseira.Até breve! Texto: José RibeiroGeologia: Paulo RodriguesEdição: Vitor Toucinho