Fojo do Sardao
Fojo do Sardão

01 de Junho de 2018 

Introdução

Este magnífico complexo está entre os maiores da Serra de Santa Justa: o «Fojo do Sardão». Assim datam os últimos registos cartográficos do local realizados em 1961 pelo Serviço de Fomento Mineiro. O complexo é formado por vários níveis de desmonte e liga-se a duas galerias de acesso superior e inferior, a G-11 e a G-12, respetivamente. Em ambas as galerias de acesso, a G-11 e a G-12, são visíveis os nichos escavados para a colocação de lucernas ao longo das paredes laterais das galerias.

Figura 1 - Tritão de ventre laranja

No total, foram georreferenciados 2 sanjas, 4 poços, 3 cortas e 3 galerias. Das cavidades acima referidas, duas das sanjas encontravam-se entulhadas. Pudemos também apurar que dois poços estavam entulhados no fundo, tendo a profundidade de 1 e 6 metros, respetivamente. Durante os trabalhos de exploração do complexo foi ainda realizada uma escalada artificial para acesso a uma galeria suspensa. Nesta galeria, com pouco mais de 10 m de extensão, encontramos um tanque da largura da galeria cheio de água.
Com a exceção da G-12, pudemos aferir que o complexo está isento de concreções e fauna digna de registo. Relativamente à G-12, encontrámos um habitat repleto de vida, com principal destaque para centenas de espécies (Tritão de ventre laranja) e milhares de ovos. Aqui, também pudemos observar outras espécies, entre elas, o Bufo Calamitae aracnídeos, estes em zonas secas da galeria.
Na zona de penumbra foram ainda observadas dezenas de rãs. Relativamente a concreções, esta mina revela-se o oposto do restante complexo. Várias formações de óxidos de ferro, como bandeiras, estalactites, estalagmites, entre outras.


Figura 2 – Planta do Fojo do Sardão

Figura 3 – Perfil do Fojo do Sardão
Figura 4 - Cruz gravada na parede da galeria G-12

A utilização desta galeria (G-12) com vista ao apoio à agricultura levou a população a construir uma represa para contenção da água, criando, assim, um reservatório dentro da mina. No exterior da mina são visíveis os tubos que retiram a água do seu interior.
Do projeto que está a ser levado a cabo em subsolo, cavidades de diferentes épocas, em que muitas delas remontam ao período de ocupação romana com mais de 2 000 anos, levam-nos, por vezes, à presença de artefactos e registos gravados na rocha. Na galeria G-12 pode ser observada, no seu início, uma cruz gravada na parede lateral esquerda.
Sem qualquer ligação com o complexo principal foi ainda topografada uma mina à qual chamámos de «Barroca do Sardão». Nesta mina, que tem início numa barroca (corta) e se desenvolve no subsolo, foi possível verificar a presença de artefactos de prospeções recentes, do século XIX a meados do século XX: dois ponteiros, uma picareta pequena e um recipiente cilíndrico possivelmente para iluminação, que ainda se encontram por identificar. Os achados foram entregues ao Museu Municipal de Valongo, ao cuidado da Dr.ª Paula Machado.


Figura 5 - Artefactos de prospeções recentes encontrados na Barroca do Sardão (Foto: Pedro Almeida - GEM)

Figura 6 – Planda e perfil da Barroca do Sardão



Este trabalho é parte integrante do projeto "Contributo espeleológico para o estudo da mineração antiga no Concelho de Valongo – Serra de Santa Justa", levado a cabo pelo «GEM Norte» que está a ser desenvolvido desde 2015 e que oportunamente será publicado na íntegra.Fotos do Fojo do Sardão e Barroca do Sardão por Eduardo Vieira (GEM) e André Leite (GEM)

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Figura 1 - Tritão de ventre laranja

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Figura 4 - Cruz gravada na parede da galeria G-12

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Os trabalhos desenvolvidos no Fojo do Sardão contaram com a participação dos espeleólogos: Eduardo Vieira (GEM), André Leite (GEM), Pedro Aguiar (GEM), Pedro Ferreira (GEM) e António Felgueiras (GEV).

Autores do projeto: Eduardo Vieira (GEM), André Leite (GEM), Pedro Ferreira (GEM) e Pedro Aguiar (GEM)Coordenação: Eduardo Vieira (GEM)Topografia: Eduardo Vieira (GEM) e André Leite (GEM)Fotografia: Pedro Almeida (GEM) e André Leite (GEM)Texto: Eduardo Vieira (GEM)Revisão do texto: Sandra Flor