{"id":22319,"date":"2025-12-21T19:55:58","date_gmt":"2025-12-21T19:55:58","guid":{"rendered":"https:\/\/gem.pt\/1\/?page_id=22319"},"modified":"2026-01-13T21:43:12","modified_gmt":"2026-01-13T21:43:12","slug":"contribuicao-planalto-sao-mamede","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/gem.pt\/1\/en\/publicacoes\/carso-e-endocarso\/contribuicao-planalto-sao-mamede\/","title":{"rendered":"Contribui\u00e7\u00e3o ao levantamento de cavidades no Planalto de S\u00e3o Mamede"},"content":{"rendered":"<figure>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<img fetchpriority=\"high\" width=\"1500\" height=\"500\" src=\"https:\/\/gem.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/saomamede_pan.jpg\" alt=\"\" decoding=\"async\" srcset=\"https:\/\/gem.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/saomamede_pan.jpg 1500w, https:\/\/gem.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/saomamede_pan-18x6.jpg 18w\" sizes=\"(max-width: 1500px) 100vw, 1500px\" \/><figcaption>Contribui\u00e7\u00e3o ao levantamento de cavidades no Planalto de S\u00e3o Mamede<\/figcaption><\/figure>\n<p>\t\t21 de Dezembro de 2025<br \/>\nRodrigues,\u00a0Paulo\u00a01,2,3\u00a0- introdu\u00e7\u00e3o, enquadramento geol\u00f3gico e hidrogeol\u00f3gico, resenhas hist\u00f3ricas, espeleog\u00e9nese, conclus\u00e3oRodrigues, Afonso\u00a0<sup>1\u00a0<\/sup>- descri\u00e7\u00f5es, fotografias\u00a0<\/p>\n<ol>\n<li style=\"letter-spacing: normal; margin: 10px; padding: 0px; font-family: Questrial; font-size: 13px; white-space: pre-line; line-height: 0.9;\">Grupo de Espeleologia e Montanhismo, Rua General Pereira de E\u00e7a, n\u00ba30, 2380-075 Alcanena<\/li>\n<li style=\"letter-spacing: normal; margin: 10px; padding: 0px; font-family: Questrial; font-size: 13px; white-space: pre-line; line-height: 0.9;\">N\u00facleo dos Amigos das Lapas Grutas e Algares\u00a0<\/li>\n<li style=\"letter-spacing: normal; margin: 10px; padding: 0px; font-family: Questrial; font-size: 13px; white-space: pre-line; line-height: 0.9;\">Comiss\u00e3o Cient\u00edfica da Federa\u00e7\u00e3o Portuguesa de Espeleologia, Estrada Calhariz de Benfica, 187, 1500-124 Lisboa\u00a0<\/li>\n<\/ol>\n<hr \/>\n<p>Resumo<\/p>\n<p>Os Algares da Moita das Porcas I, II e da Pedreira do Batista s\u00e3o cavidades que se desenvolveram no carso do Planalto de S\u00e3o Mamede, parte de uma unidade do Maci\u00e7o Calc\u00e1rio Estremenho Portugal. As cavidades s\u00e3o classificadas como <em>vadose shafts<\/em> que se desenvolveram a partir da base do epicarso, em zona vadosa, numa estrutura monoclinal, em calc\u00e1rios do Jur\u00e1ssico M\u00e9dio, ao longo de descontinuidades subverticais.<\/p>\n<p><strong>Palavras chave: Algar da Moita das Porcas I, Algar da Moita das Porcas II, Algar da Pedreira do Batista, Planalto de S\u00e3o Mamede, espeleog\u00e9nese, regime vadoso, zona epic\u00e1rsica, vadose shaft, Maci\u00e7o Calc\u00e1rio Estremenho.<\/strong><\/p>\n<p>Introdu\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>Os Algares da Moitas das Porcas I, da Moita das Porcas II e da Pedreira do Batista ficam situados no Planalto de S\u00e3o Mamede, a Norte da localidade de Mira de Aire em Portugal. O Planalto de S\u00e3o Mamede faz parte de uma das tr\u00eas unidades geomorfol\u00f3gicas do Maci\u00e7o Calc\u00e1rio Estremenho, doravante designado de MCE. As bocas dos algares abrem-se junto \u00e0 extremidade Sul do Planalto de S\u00e3o Mamede, numa zona aplanada que pode ser inclu\u00edda no n\u00edvel de Ch\u00e3o das Pias definido por Fernandes Martins, 1949, relativamente perto do bordo norte do Polje de Minde e nas imedia\u00e7\u00f5es do importante sistema de Moinhos Velhos-Pena-Contenda (Figura 1).<\/p>\n<figure>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<a href=\"https:\/\/gem.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/image001-1.jpg\" data-elementor-open-lightbox=\"yes\" data-elementor-lightbox-title=\"Figura 1 - Excerto da Folha 318 \u2013 Mira de Aire da Carta Militar de Portugal, \u00e0 escala 1\/25000 com localiza\u00e7\u00e3o das cavidades referidas (sem escala)\" data-e-action-hash=\"#elementor-action%3Aaction%3Dlightbox%26settings%3DeyJpZCI6MjIzMjUsInVybCI6Imh0dHBzOlwvXC9nZW0ucHRcL3dwLWNvbnRlbnRcL3VwbG9hZHNcLzIwMjVcLzEyXC9pbWFnZTAwMS0xLmpwZyJ9\"><br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t<img width=\"1225\" height=\"906\" src=\"https:\/\/gem.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/image001-1.jpg\" alt=\"\" decoding=\"async\" srcset=\"https:\/\/gem.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/image001-1.jpg 1225w, https:\/\/gem.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/image001-1-16x12.jpg 16w\" sizes=\"(max-width: 1225px) 100vw, 1225px\" \/>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/a><figcaption>Figura 1 - Excerto da Folha 318 \u2013 Mira de Aire da Carta Militar de Portugal, \u00e0 escala 1\/25000 com localiza\u00e7\u00e3o das cavidades referidas (sem escala)<\/figcaption><\/figure>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Geological Setting<\/p>\n<p>As cavidades desenvolvem-se de acordo com a Folha 27-A \u2013 Vila Nova de Our\u00e9m da Carta Geol\u00f3gica de Portugal \u00e0 escala 1\/50000, na forma\u00e7\u00e3o de Calc\u00e1rios m\u00edcriticos da Serra de Aire (Figura 2). Esta forma\u00e7\u00e3o est\u00e1 datada do Batoniano (andar do Jur\u00e1ssico m\u00e9dio); a litologia dominante, segundo Manuppella <em>et al<\/em> (2000) s\u00e3o os calc\u00e1rios m\u00edcr\u00edticos, e a espessura total desta forma\u00e7\u00e3o, de acordo com a mesma fonte, \u00e9 da ordem dos 300-400m. Esta forma\u00e7\u00e3o est\u00e1 inserida na chamada forma\u00e7\u00e3o c\u00e1rsica do Jur\u00e1ssico M\u00e9dio definida por Crispim (1995).<\/p>\n<p>Em termos estruturais, os terrenos da zona em estudo encontram-se inseridos no flanco Sul de um anticlinal de grande amplitude (Manuppella <em>et al<\/em> 2000), constituindo localmente esse flanco, segundo a Folha 27-A da Carta Geol\u00f3gica de Portugal \u00e0 escala 1\/5000, um monoclinal com atitude local de aproximadamente NW-SE\/ 5-10\u00ba SE. Em termos pr\u00e1ticos, em afloramentos intra e extra cavidades, a forma\u00e7\u00e3o apresenta-se subhorizontal. A zona em estudo \u00e9 atravessada por uma rede de diaclases de orienta\u00e7\u00e3o aproximadamente NW-SE e NE-SW segundo Crispim (1995). Em rela\u00e7\u00e3o a falhas, de acordo com a Folha 27-A-Vila Nova de Our\u00e9m da Carta Geol\u00f3gica de Portugal \u00e0 escala 1\/50000, os acidentes mais pr\u00f3ximos t\u00eam dire\u00e7\u00e3o NW-SE e NNE-SSW.<\/p>\n<figure>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<a href=\"https:\/\/gem.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/image002.jpg\" data-elementor-open-lightbox=\"yes\" data-elementor-lightbox-title=\"Figura 2 - Excerto da Folha 27-A \u2013 Vila Nova de Our\u00e9m da Carta Geol\u00f3gica de Portugal \u00e0 escala 1\/50000, com localiza\u00e7\u00e3o das cavidades  referidas (sem escala)\" data-e-action-hash=\"#elementor-action%3Aaction%3Dlightbox%26settings%3DeyJpZCI6MjIzMjIsInVybCI6Imh0dHBzOlwvXC9nZW0ucHRcL3dwLWNvbnRlbnRcL3VwbG9hZHNcLzIwMjVcLzEyXC9pbWFnZTAwMi5qcGcifQ%3D%3D\"><br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t<img width=\"894\" height=\"762\" src=\"https:\/\/gem.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/image002.jpg\" alt=\"\" decoding=\"async\" srcset=\"https:\/\/gem.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/image002.jpg 894w, https:\/\/gem.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/image002-14x12.jpg 14w\" sizes=\"(max-width: 894px) 100vw, 894px\" \/>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/a><figcaption>Figura 2 - Excerto da Folha 27-A \u2013 Vila Nova de Our\u00e9m da Carta Geol\u00f3gica de Portugal \u00e0 escala 1\/50000, com localiza\u00e7\u00e3o das cavidades  referidas (sem escala)<\/figcaption><\/figure>\n<p>Enquadramento Hidrogeol\u00f3gico<\/p>\n<p>A hidrogeologia do MCE continua a ser, atualmente, pouco conhecida. Cada uma das unidades geomorfol\u00f3gicas possui um n\u00famero muito limitado de nascentes permanentes para onde escoa as suas \u00e1guas subterr\u00e2neas. De acordo com Costa Almeida <em>et al<\/em> (2000), a unidade onde se situam as grutas alvo deste estudo, (Planalto de S\u00e3o Mamede e Serra de Aire) drena as suas \u00e1guas para as nascentes permanentes do Rio Almonda (a SE) e do Rio Liz (a NNW). O Polje de Minde, situado relativamente perto dos algares, tem um papel fundamental na circula\u00e7\u00e3o da \u00e1gua subterr\u00e2nea.<\/p>\n<p>Algar da Moita das Porcas I<\/p>\n<p><strong>Historical Review<\/strong><br \/>A Sociedade Portuguesa de Espeleologia (SPE) desenvolveu trabalhos no Algar da Moita das Porcas I pelo menos nos anos 80-90 por Paulo Caetano da Noiva e M\u00e1rio Sim\u00f5es (podendo ter havido mais participantes). Em 2004 e 2005 a Sociedade Portuguesa de Espeleologia (SPE) voltou a realizar trabalhos neste algar. Durante esses trabalhos procedeu-se \u00e0 explora\u00e7\u00e3o da cavidade e realiza\u00e7\u00e3o de uma topografia da mesma.\u00a0 Na d\u00e9cada de 2010 ocorreram visitas e trabalhos de reequipagem da gruta, envolvendo o Grupo de Espeleologia e Montanhismo (GEM) e outras associa\u00e7\u00f5es. Em 2024 foram feitas v\u00e1rias sa\u00eddas \u00e0 cavidade pelo GEM, com intuito de produzir uma topografia.<\/p>\n<p><strong>Descri\u00e7\u00e3o da Cavidade<\/strong><br \/>A entrada na cavidade \u00e9 relativamente estreita, dando acesso um po\u00e7o de largura m\u00e9trica. Da sua base, segue-se por um estreitamento para outro ressalto que, por uma rampa coberta por sedimento, emboca num po\u00e7o direto de 28m. No fundo do po\u00e7o, \u00e9 poss\u00edvel descer mais um pouco para NE, mas a sala termina num colmatamento de blocos; antes para SW, h\u00e1 um caos de blocos com aproximadamente dois n\u00edveis. O de baixo d\u00e1 acesso a uma s\u00e9rie de pequenas passagens, e nelas veem-se grandes romboedros de calcite. O n\u00edvel de cima conduz a um po\u00e7o paralelo logo a NW atrav\u00e9s de uma janela; est\u00e1 coberto de concre\u00e7\u00e3o branca e depois estreita, tornando-se inacess\u00edvel.<\/p>\n<p>Do caos de blocos, subindo, para SE h\u00e1 outra fratura onde se monta um pequeno corrim\u00e3o para um ressalto de 6m, fazendo-se depois outro corrim\u00e3o mais abaixo numa diaclase perpendicular at\u00e9 chegar ao espa\u00e7o do \u00faltimo po\u00e7o, que geneticamente \u00e9 uma outra grande fratura alargada de altura consider\u00e1vel. Daqui faz-se outro pequeno ressalto em oposi\u00e7\u00e3o e equipa-se a descida do po\u00e7o mais profundo em amarra\u00e7\u00f5es naturais. H\u00e1 mais dois pequenos po\u00e7os paralelos, um intercomunica com o principal, tratando-se na verdade da mesma fratura onde se montou o corrim\u00e3o; o outro fica no alinhamento do ressalto e tem entrada obstru\u00edda. Descendo ao po\u00e7o mais profundo chega-se a um fundo coberto de blocos e continua-se por mais alguns degraus estreitos, inst\u00e1veis e lamacentos, de onde na d\u00e9cada de 2000 j\u00e1 se tirou pedra. Aqui veem-se pequenos cristais laminares e aciculares, muito bonitos e fr\u00e1geis ao toque.<\/p>\n<p>Antes, do topo do po\u00e7o, onde se equipa a descida, acede-se a uma parte lateral que consiste noutra fratura alargada,\u00a0 profusamente concrecionada. Mais um ressalto e entra-se numa sala onde est\u00e3o os espeleotemas mais desenvolvidos do algar; depois de uma \u00faltima vertical, equipada numa amarra\u00e7\u00e3o natural, chega-se a um espa\u00e7o inferior, intersectado por uma pequena fratura demasiado estreita para explorar. Nesta zona h\u00e1 pequenos lagos tempor\u00e1rios com cristaliza\u00e7\u00e3o associada.<\/p>\n<p><strong>Speleometry<\/strong><br \/>Desenvolvimento Total: 155m<br \/>Desenvolvimento Planim\u00e9trico: 69m<br \/>Desn\u00edvel: -70m<\/p>\n<p><strong>Alguns apontamentos de geologia<\/strong><br \/>O Algar da Moita das Porcas I \u00e9 formado por uma s\u00e9rie de po\u00e7os, que se desenvolvem ao longo, sobretudo, de uma dire\u00e7\u00e3o entre N20\u00baE a N40\u00baE. A cavidade apresenta tamb\u00e9m algumas zonas que se desenvolvem ao longo da dire\u00e7\u00e3o N20-40\u00baW e E-W. As \u00e1reas da gruta que se desenvolveram ao longo destas \u00faltimas dire\u00e7\u00f5es t\u00eam dimens\u00f5es menores que as de dire\u00e7\u00e3o N20-40\u00baE, s\u00e3o menos frequentes e servem sobretudo como liga\u00e7\u00e3o entre as zonas de dire\u00e7\u00e3o N20-40\u00baE.<\/p>\n<p>A profundidade m\u00e1xima dos po\u00e7os \u00e9 geralmente da ordem das poucas dezenas de metros, a sua sec\u00e7\u00e3o transversal m\u00e1xima, em zonas onde n\u00e3o se registaram abatimentos, \u00e9 da ordem de 2-3 m de di\u00e2metro. As liga\u00e7\u00f5es entre os v\u00e1rios po\u00e7os s\u00e3o muitas vezes feitas atrav\u00e9s de passagens de sec\u00e7\u00e3o reduzida, situadas junto ao fundo dos po\u00e7os ou nas paredes dos mesmos. A profundidade, dimens\u00e3o da sec\u00e7\u00e3o transversal e a morfologia dos v\u00e1rios po\u00e7os \u00e9 relativamente vari\u00e1vel.<\/p>\n<p>Os po\u00e7os apresentam nas suas paredes caneluras, como as descritas por Baron (2003) em grutas do Planalto de Doln\u00fd Vrch, a sec\u00e7\u00e3o transversal destas caneluras atinge v\u00e1rios dec\u00edmetros e o seu comprimento \u00e9 da ordem de grandeza da profundidade dos po\u00e7os. O fundo dos po\u00e7os encontra-se quase sempre coberto por blocos, resultantes de abatimentos do teto, e argila, com exce\u00e7\u00e3o de um po\u00e7o que termina numa fenda impenetr\u00e1vel. O teto dos po\u00e7os \u00e9, no geral, plano, coincidindo com superf\u00edcies de estratifica\u00e7\u00e3o subhorizontais. Ao longo do fundo da cavidade ou encaixados entre as paredes dos po\u00e7os s\u00e3o encontrados blocos de dimens\u00e3o decim\u00e9trica a m\u00e9trica. A parte da cavidade de maior extens\u00e3o lateral \u00e9 a base do po\u00e7o de entrada (fundo do P28), onde existe um caos de blocos. Muitos destes blocos s\u00e3o de dimens\u00e3o m\u00e9trica e s\u00e3o constitu\u00eddos sobretudo por calc\u00e1rio, mas tamb\u00e9m por concre\u00e7\u00f5es que cobriram os blocos ap\u00f3s o seu abatimento.<\/p>\n<p>A base dos po\u00e7os apresenta-se coberto de sedimentos de natureza detr\u00edtica (incluindo <em>terra rossa<\/em>), litoqu\u00edmica e biol\u00f3gica (apenas nos po\u00e7os mais pr\u00f3ximos da superf\u00edcie). Verifica-se a presen\u00e7a de ra\u00edzes at\u00e9 cerca de 40m de profundidade. Em termos de concre\u00e7\u00f5es, a cavidade apresenta sobretudo mantos estalagm\u00edticos que se desenvolveram nas paredes da cavidade, algumas cortinas, estalagmites, estalactites e colunas em quantidade reduzida.<\/p>\n<figure>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<a href=\"https:\/\/gem.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/image003.jpg\" data-elementor-open-lightbox=\"yes\" data-elementor-lightbox-title=\"Figura 3 - Base do po\u00e7o  P28 e acesso a ressalto na base do po\u00e7o.\" data-e-action-hash=\"#elementor-action%3Aaction%3Dlightbox%26settings%3DeyJpZCI6MjIzNzcsInVybCI6Imh0dHBzOlwvXC9nZW0ucHRcL3dwLWNvbnRlbnRcL3VwbG9hZHNcLzIwMjZcLzAxXC9pbWFnZTAwMy5qcGcifQ%3D%3D\"><br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t<img loading=\"lazy\" width=\"800\" height=\"600\" src=\"https:\/\/gem.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/image003.jpg\" alt=\"\" decoding=\"async\" srcset=\"https:\/\/gem.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/image003.jpg 800w, https:\/\/gem.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/image003-16x12.jpg 16w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/a><figcaption>Figura 3 - Base do po\u00e7o  P28 e acesso a ressalto na base do po\u00e7o.<\/figcaption><\/figure>\n<figure>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<a href=\"https:\/\/gem.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/image004.jpg\" data-elementor-open-lightbox=\"yes\" data-elementor-lightbox-title=\"Figura 4 - Aspeto da entrada (note-se a reduzida dimens\u00e3o).\" data-e-action-hash=\"#elementor-action%3Aaction%3Dlightbox%26settings%3DeyJpZCI6MjIzNzgsInVybCI6Imh0dHBzOlwvXC9nZW0ucHRcL3dwLWNvbnRlbnRcL3VwbG9hZHNcLzIwMjZcLzAxXC9pbWFnZTAwNC5qcGcifQ%3D%3D\"><br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t<img loading=\"lazy\" width=\"800\" height=\"600\" src=\"https:\/\/gem.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/image004.jpg\" alt=\"\" decoding=\"async\" srcset=\"https:\/\/gem.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/image004.jpg 800w, https:\/\/gem.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/image004-16x12.jpg 16w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/a><figcaption>Figura 4 - Aspeto da entrada (note-se a reduzida dimens\u00e3o).<\/figcaption><\/figure>\n<figure>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<a href=\"https:\/\/gem.pt\/1\/en\/publicacoes\/newsletter\/pdfviewer\/?pdf=1KSyXQAOcWo222_zsXrQzq8vo6hWw3slU\"><br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t<img loading=\"lazy\" width=\"595\" height=\"841\" src=\"https:\/\/gem.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/Algar_da_Moita_das_Porcas_I_PERFIL.jpg\" alt=\"\" decoding=\"async\" srcset=\"https:\/\/gem.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/Algar_da_Moita_das_Porcas_I_PERFIL.jpg 595w, https:\/\/gem.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/Algar_da_Moita_das_Porcas_I_PERFIL-8x12.jpg 8w\" sizes=\"(max-width: 595px) 100vw, 595px\" \/>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/a><figcaption>Figura 5 -  Al\u00e7ado rebatido do algar da Moita das Porcas I (clique para ver em formato pdf)<\/figcaption><\/figure>\n<figure>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<a href=\"https:\/\/gem.pt\/1\/en\/publicacoes\/newsletter\/pdfviewer\/?pdf=1C_47iNvu8gg95wA44J9kwBMA1MVuFYWU\"><br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t<img loading=\"lazy\" width=\"595\" height=\"841\" src=\"https:\/\/gem.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/Algar_da_Moita_das_Porcas_I_PLANTA.jpg\" alt=\"\" decoding=\"async\" srcset=\"https:\/\/gem.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/Algar_da_Moita_das_Porcas_I_PLANTA.jpg 595w, https:\/\/gem.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/Algar_da_Moita_das_Porcas_I_PLANTA-8x12.jpg 8w\" sizes=\"(max-width: 595px) 100vw, 595px\" \/>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/a><figcaption>Figura 6 - Planta do algar da Moita das Porcas I (clique para ver em formato pdf)<\/figcaption><\/figure>\n<figure>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<a href=\"https:\/\/gem.pt\/1\/en\/publicacoes\/newsletter\/pdfviewer\/?pdf=1oXMlHhLRHTcGwyaicd-l3_oUohkgTbc2\"><br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t<img loading=\"lazy\" width=\"595\" height=\"841\" src=\"https:\/\/gem.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/Algar_da_Moita_das_Porcas_I_FE.jpg\" alt=\"\" decoding=\"async\" srcset=\"https:\/\/gem.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/Algar_da_Moita_das_Porcas_I_FE.jpg 595w, https:\/\/gem.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/Algar_da_Moita_das_Porcas_I_FE-8x12.jpg 8w\" sizes=\"(max-width: 595px) 100vw, 595px\" \/>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/a><figcaption>Figura 7 - Ficha de equipagem do algar da Moita das Porcas I (clique para ver em formato pdf)<\/figcaption><\/figure>\n<figure>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<a href=\"https:\/\/gem.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/image008.jpg\" data-elementor-open-lightbox=\"yes\" data-elementor-lightbox-title=\"Figura 8 - Levantamento topogr\u00e1fico do algar Moita das Porcas I.\" data-e-action-hash=\"#elementor-action%3Aaction%3Dlightbox%26settings%3DeyJpZCI6MjIzNzksInVybCI6Imh0dHBzOlwvXC9nZW0ucHRcL3dwLWNvbnRlbnRcL3VwbG9hZHNcLzIwMjZcLzAxXC9pbWFnZTAwOC5qcGcifQ%3D%3D\"><br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t<img loading=\"lazy\" width=\"800\" height=\"600\" src=\"https:\/\/gem.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/image008.jpg\" alt=\"\" decoding=\"async\" srcset=\"https:\/\/gem.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/image008.jpg 800w, https:\/\/gem.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/image008-16x12.jpg 16w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/a><figcaption>Figura 8 - Levantamento topogr\u00e1fico do algar Moita das Porcas I.<\/figcaption><\/figure>\n<figure>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<a href=\"https:\/\/gem.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/image009.jpg\" data-elementor-open-lightbox=\"yes\" data-elementor-lightbox-title=\"Figura 9 - Aspeto do interior do algar da Moita das Porcas I.\" data-e-action-hash=\"#elementor-action%3Aaction%3Dlightbox%26settings%3DeyJpZCI6MjIzODAsInVybCI6Imh0dHBzOlwvXC9nZW0ucHRcL3dwLWNvbnRlbnRcL3VwbG9hZHNcLzIwMjZcLzAxXC9pbWFnZTAwOS5qcGcifQ%3D%3D\"><br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t<img loading=\"lazy\" width=\"800\" height=\"600\" src=\"https:\/\/gem.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/image009.jpg\" alt=\"\" decoding=\"async\" srcset=\"https:\/\/gem.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/image009.jpg 800w, https:\/\/gem.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/image009-16x12.jpg 16w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/a><figcaption>Figura 9 - Aspeto do interior do algar da Moita das Porcas I.<\/figcaption><\/figure>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Algar da Moita das Porcas II<\/p>\n<p><strong>Historical Review<\/strong><br \/>A Sociedade Portuguesa de Espeleologia realizou na primeira metade da d\u00e9cada de 2000 trabalhos de topografia, desobstru\u00e7\u00e3o e inclusive uma escalada (na chamin\u00e9 referida na descri\u00e7\u00e3o da gruta). Em 2024 foram conduzidas v\u00e1rias atividades pelo GEM, com objetivo de explora\u00e7\u00e3o e topografia.<\/p>\n<p><strong>Descri\u00e7\u00e3o da Cavidade<\/strong><br \/>A boca da gruta abre-se num eucaliptal junto a um caminho de p\u00e9 posto, que desce para Sul, do estrad\u00e3o que liga a estrada de Vale Barreiras a Mira de Aire.<\/p>\n<p>A boca, com cerca de 1m de largura, d\u00e1 acesso a um po\u00e7o com aproximadamente 20m de profundidade. O teto do mesmo \u00e9 relativamente inst\u00e1vel, com blocos soltos. O po\u00e7o apresenta muitas ra\u00edzes e blocos suspensos a meio, resultantes de abatimentos ao longo de uma camada de argila. As paredes do po\u00e7o apresentam sinais de um estado mais avan\u00e7ado de degrada\u00e7\u00e3o, exigindo algum cuidado na progress\u00e3o. A por\u00e7\u00e3o mais a SE est\u00e1 coberta de <em>moonmilk<\/em> seco. A base do po\u00e7o \u00e9 composta por uma rampa coberta de calhaus, algum lixo, e ainda um tronco de eucalipto encaixado no po\u00e7o. A partir da base do po\u00e7o de entrada (P18) tem-se acesso a dois ressaltos. Um deles conduz \u00e0 cabeceira do po\u00e7o mais profundo da gruta, com uma largura de v\u00e1rios metros e uma profundidade de 32m. O fundo, coberto de blocos, concentra algum CO2, tendo no enfiamento de uma das fraturas um pequeno nicho que serve de abrigo, esta continua\u00e7\u00e3o estreita; n\u00e3o se notando corrente de ar. Nele est\u00e1 um pequeno esqueleto de cobra.<\/p>\n<p>Partindo do patamar acima (base do po\u00e7o de entrada), \u00e9 poss\u00edvel tamb\u00e9m aceder a um pequeno ressalto de cerca de 5m, que comunica por duas janelas com o P32. A partir desta rampa, tem-se acesso ao ramo SW da cavidade, que desce por mais uns tantos ressaltos da mesma ordem de grandeza, terminando numa sala fortemente concrecionada. \u00c9 a zona de maior beleza litol\u00f3gica da cavidade, tendo uma chamin\u00e9 impressionante de cerca de 20m de altura. Da base da sala \u00e9 ainda poss\u00edvel destrepar para dois pequenos vazios abaixo, cobertos de argila, n\u00e3o sendo mais que a base de um caos de blocos, em cima do qual se formou a sala concrecionada. \u00c9 tamb\u00e9m poss\u00edvel trepar por uma diaclase que acede a um pequeno po\u00e7o paralelo, com fundo de blocos e sem continua\u00e7\u00e3o aparente. O algar apresenta caneluras de dissolu\u00e7\u00e3o em v\u00e1rias zonas, e uma atmosfera algo saturada.<\/p>\n<p><strong>Speleometry<\/strong><br \/>Desenvolvimento Total: 83,9m<br \/>Desenvolvimento Planim\u00e9trico: 26,0m<br \/>Desn\u00edvel: -49,0m<\/p>\n<p><strong>Alguns apontamentos de geologia<\/strong><br \/>A gruta pode ser classificada com um <em>vadose shaft<\/em> de acordo com a defini\u00e7\u00e3o de Baro\u00f1, 2003. O algar apresenta caneluras de dissolu\u00e7\u00e3o verticais ao longo das paredes dos po\u00e7os, controlo estrutural por fraturas, uma boca relativamente pequena e neste caso em particular abundante mat\u00e9ria org\u00e2nica. O controlo estrutural do desenvolvimento da gruta \u00e9 feito por descontinuidades subverticais de dire\u00e7\u00e3o aproximada N-S a N20\u00baE, E-W, N60\u00baW e N60\u00baE. Os blocos que atapetam o fundo dos po\u00e7os resultam, em grande parte, do abatimento ao longo de superf\u00edcies de estratifica\u00e7\u00e3o subhorizontais.<\/p>\n<figure>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<a href=\"https:\/\/gem.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/image010.jpg\" data-elementor-open-lightbox=\"yes\" data-elementor-lightbox-title=\"Figura 10 - Aspeto da entrada. Note-se a reduzida dimens\u00e3o.\" data-e-action-hash=\"#elementor-action%3Aaction%3Dlightbox%26settings%3DeyJpZCI6MjIzODEsInVybCI6Imh0dHBzOlwvXC9nZW0ucHRcL3dwLWNvbnRlbnRcL3VwbG9hZHNcLzIwMjZcLzAxXC9pbWFnZTAxMC5qcGcifQ%3D%3D\"><br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t<img loading=\"lazy\" width=\"800\" height=\"600\" src=\"https:\/\/gem.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/image010.jpg\" alt=\"\" decoding=\"async\" srcset=\"https:\/\/gem.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/image010.jpg 800w, https:\/\/gem.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/image010-16x12.jpg 16w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/a><figcaption>Figura 10 - Aspeto da entrada. Note-se a reduzida dimens\u00e3o.<\/figcaption><\/figure>\n<figure>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<a href=\"https:\/\/gem.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/image011.jpg\" data-elementor-open-lightbox=\"yes\" data-elementor-lightbox-title=\"Figura 11 - Aspeto do primeiro po\u00e7o. De notar as caneluras de dissolu\u00e7\u00e3o ao longo das paredes.\" data-e-action-hash=\"#elementor-action%3Aaction%3Dlightbox%26settings%3DeyJpZCI6MjIzODIsInVybCI6Imh0dHBzOlwvXC9nZW0ucHRcL3dwLWNvbnRlbnRcL3VwbG9hZHNcLzIwMjZcLzAxXC9pbWFnZTAxMS5qcGcifQ%3D%3D\"><br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t<img loading=\"lazy\" width=\"800\" height=\"600\" src=\"https:\/\/gem.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/image011.jpg\" alt=\"\" decoding=\"async\" srcset=\"https:\/\/gem.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/image011.jpg 800w, https:\/\/gem.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/image011-16x12.jpg 16w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/a><figcaption>Figura 11 - Aspeto do primeiro po\u00e7o. De notar as caneluras de dissolu\u00e7\u00e3o ao longo das paredes.<\/figcaption><\/figure>\n<figure>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<a href=\"https:\/\/gem.pt\/1\/en\/publicacoes\/newsletter\/pdfviewer\/?pdf=1yUbVdmkJKQzzxapiFh9DAnLhSyR9JsUF\"><br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t<img loading=\"lazy\" width=\"902\" height=\"697\" src=\"https:\/\/gem.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/Algar-da-Moita-das-Porcas-II-arte-final.jpg\" alt=\"\" decoding=\"async\" srcset=\"https:\/\/gem.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/Algar-da-Moita-das-Porcas-II-arte-final.jpg 902w, https:\/\/gem.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/Algar-da-Moita-das-Porcas-II-arte-final-16x12.jpg 16w\" sizes=\"(max-width: 902px) 100vw, 902px\" \/>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/a><figcaption>Figura 12 - Representa\u00e7\u00e3o topogr\u00e1fica do algar da Moita das Porcas II (clique para ver em formato pdf)<\/figcaption><\/figure>\n<figure>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<a href=\"https:\/\/gem.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/image013.jpg\" data-elementor-open-lightbox=\"yes\" data-elementor-lightbox-title=\"Figura 13 - Esqueleto de cobra intacto, no fundo do po\u00e7o com CO2.\" data-e-action-hash=\"#elementor-action%3Aaction%3Dlightbox%26settings%3DeyJpZCI6MjIzODMsInVybCI6Imh0dHBzOlwvXC9nZW0ucHRcL3dwLWNvbnRlbnRcL3VwbG9hZHNcLzIwMjZcLzAxXC9pbWFnZTAxMy5qcGcifQ%3D%3D\"><br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/gem.pt\/wp-content\/uploads\/elementor\/thumbs\/image013-rhbvmb8fgf1xe3fwfxc7jncb88h5c00ayoa7kwpxgg.jpg\" title=\"Figura 13 &#8211; Esqueleto de cobra intacto, no fundo do po\u00e7o com CO2.\" alt=\"Figura 13 - Esqueleto de cobra intacto, no fundo do po\u00e7o com CO2.\" loading=\"lazy\" \/>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/a><figcaption>Figura 13 - Esqueleto de cobra intacto, no fundo do po\u00e7o com CO2.<\/figcaption><\/figure>\n<figure>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<a href=\"https:\/\/gem.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/image014.jpg\" data-elementor-open-lightbox=\"yes\" data-elementor-lightbox-title=\"Figura 14 - Estalagmites na sala final.\" data-e-action-hash=\"#elementor-action%3Aaction%3Dlightbox%26settings%3DeyJpZCI6MjIzODQsInVybCI6Imh0dHBzOlwvXC9nZW0ucHRcL3dwLWNvbnRlbnRcL3VwbG9hZHNcLzIwMjZcLzAxXC9pbWFnZTAxNC5qcGcifQ%3D%3D\"><br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/gem.pt\/wp-content\/uploads\/elementor\/thumbs\/image014-rhbvmc69n937ppejafqu453rtmcijp41asxp26oja8.jpg\" title=\"Figura 14 &#8211; Estalagmites na sala final.\" alt=\"Figura 14 - Estalagmites na sala final.\" loading=\"lazy\" \/>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/a><figcaption>Figura 14 - Estalagmites na sala final.<\/figcaption><\/figure>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Algar da Pedreira do Batista<\/p>\n<p><strong>Historical Review<\/strong><br \/>A resenha aqui apresentada \u00e9 baseada em grande parte na informa\u00e7\u00e3o fornecida por Paulo Almeida, que participou na explora\u00e7\u00e3o mais antiga de que tivemos conhecimento, realizada pela SPE.<\/p>\n<p>\u201cTenho no\u00e7\u00e3o de a explora\u00e7\u00e3o inicial ter sido h\u00e1 bastante tempo. Abandonada por o algar estar entulhado na base do po\u00e7o de entrada (\u2026). Algures nos anos 90, o Crispim falou para batermos todos os algares da regi\u00e3o, pois estaria o algar da Pedreira do Baptista na vertical de uma galeria dos Moinhos Velhos. Foi quando fui l\u00e1, j\u00e1 n\u00e3o me lembro com quem, vi os cantinhos todos e nenhum tinha passagem. Havia um buraco na parede, numa zona de acesso muito dif\u00edcil que me despertou a aten\u00e7\u00e3o e a vontade de explorar, mas n\u00e3o tinha no momento equipamento para isso.\u201c<\/p>\n<p>Noutra atividade posterior: \u201dlevei o equipamento que tinha planeado e l\u00e1 fui eu e mais algu\u00e9m, desceu o outro primeiro e depois desci eu, parei \u00e0 altura que calculei, ele come\u00e7ou a agitar a corda, qual badalo do sino at\u00e9 que consegui chegar \u00e0 parede e agarrar-me com dois dedos, todo esticado, qual n\u00famero de circo. Com a outra m\u00e3o consegui colocar uma das minhas unhas de escalada, \u00e0 qual consegui unir o ponto central do arn\u00eas e ficar agarrado num ponto super est\u00e1vel, se eu n\u00e3o respirasse. Caso corresse mal a parede oposta esperava a minha chegada. Pendurado em t\u00e3o seguro ponto consegui elevar-me num estribo e colocar um entalador, entre entaladores e pontes de rocha l\u00e1 fui progredindo e instalei uma corda para acesso. Fui progredindo por entre placas de rocha que me encaminhavam na dire\u00e7\u00e3o da superf\u00edcie, quando estava perto da superf\u00edcie e ap\u00f3s ter olhado para todos os cantinhos, havia uma placa com um espa\u00e7o por baixo, esgueirei-me por a\u00ed e tinha parede pela frente, mas com uma ligeira passagem acima desta, dessa passagem um vento fresco e quando espreitei tinha a descida que voc\u00eas conhecem, instalei uma corda e fui at\u00e9 \u00e0 passagem estreita dos vossos pesadelos. Depois disso voc\u00eas j\u00e1 conhecem o resto da hist\u00f3ria.\u201d Posteriormente, na primeira metade da d\u00e9cada de 2000, a Sociedade Portuguesa de Espeleologia realizou trabalhos de desobstru\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<figure>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<a href=\"https:\/\/gem.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/image015.jpg\" data-elementor-open-lightbox=\"yes\" data-elementor-lightbox-title=\"Figura 15 - Entrada do Algar da Pedreira do Batista (lado esquerdo) e a boca do pequeno algar (lado direito). Note-se a reduzida dimens\u00e3o das entradas.\" data-e-action-hash=\"#elementor-action%3Aaction%3Dlightbox%26settings%3DeyJpZCI6MjIzODUsInVybCI6Imh0dHBzOlwvXC9nZW0ucHRcL3dwLWNvbnRlbnRcL3VwbG9hZHNcLzIwMjZcLzAxXC9pbWFnZTAxNS5qcGcifQ%3D%3D\"><br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t<img loading=\"lazy\" width=\"800\" height=\"600\" src=\"https:\/\/gem.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/image015.jpg\" alt=\"\" decoding=\"async\" srcset=\"https:\/\/gem.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/image015.jpg 800w, https:\/\/gem.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/image015-16x12.jpg 16w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/a><figcaption>Figura 15 - Entrada do Algar da Pedreira do Batista (lado esquerdo) e a boca do pequeno algar (lado direito). Note-se a reduzida dimens\u00e3o das entradas.<\/figcaption><\/figure>\n<figure>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<a href=\"https:\/\/gem.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/image016.jpg\" data-elementor-open-lightbox=\"yes\" data-elementor-lightbox-title=\"Figura 16 - Caneluras de dissolu\u00e7\u00e3o no po\u00e7o P25.\" data-e-action-hash=\"#elementor-action%3Aaction%3Dlightbox%26settings%3DeyJpZCI6MjIzODYsInVybCI6Imh0dHBzOlwvXC9nZW0ucHRcL3dwLWNvbnRlbnRcL3VwbG9hZHNcLzIwMjZcLzAxXC9pbWFnZTAxNi5qcGcifQ%3D%3D\"><br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t<img loading=\"lazy\" width=\"800\" height=\"600\" src=\"https:\/\/gem.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/image016.jpg\" alt=\"\" decoding=\"async\" srcset=\"https:\/\/gem.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/image016.jpg 800w, https:\/\/gem.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/image016-16x12.jpg 16w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/a><figcaption>Figura 16 - Caneluras de dissolu\u00e7\u00e3o no po\u00e7o P25.<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>Descri\u00e7\u00e3o da Cavidade<\/strong><br \/>A abertura do algar \u00e0 superf\u00edcie \u00e9 relativamente estreita e fica no bordo de uma pequena depress\u00e3o, havendo no alinhamento da sua fratura gen\u00e9tica um po\u00e7o com uma boca maior, com um bloco suspenso a tap\u00e1-la; este po\u00e7o desce cerca de 7m com paredes cobertas de musgo at\u00e9 atingir um colmatamento, coberto de solo.<\/p>\n<p>Atravessando a entrada da gruta, passa-se para um po\u00e7o de largura de ordem m\u00e9trica. Descendo toda a sua extens\u00e3o, chega-se a um fundo com blocos, onde se veem nas paredes caneluras com <em>scallops<\/em> de escorr\u00eancia; antes, a meio da vertical, h\u00e1 uma janela que acede ao po\u00e7o maior (P25), que forma uma sala de volume impressionante. A parede a Oeste est\u00e1 coberta de concre\u00e7\u00f5es lind\u00edssimas e de boa dimens\u00e3o, sendo que o lado oposto, onde existem caneluras de dimens\u00e3o apreci\u00e1vel nas paredes, parece ainda ter corros\u00e3o ativa. O P25 comunica em v\u00e1rios pontos com o primeiro po\u00e7o de entrada por uma diaclase alargada. A base do sal\u00e3o tem um monte de material de deje\u00e7\u00e3o no centro, e o fundo coberto de blocos desintegrados pela queda; h\u00e1 ainda uma escava\u00e7\u00e3o e uma p\u00e1 num s\u00edtio pouco promissor, com uma ossada. V\u00ea-se a estratifica\u00e7\u00e3o subhorizontal com ligeiro pendor para sul, e um dos blocos do teto tem um pequeno canal marcado. O po\u00e7o \u201ccego\u201d junto da entrada do algar fica precisamente no alinhamento do monte de material de deje\u00e7\u00e3o que se v\u00ea no fundo do espa\u00e7o, sugerindo poss\u00edvel liga\u00e7\u00e3o passada.<\/p>\n<figure>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<a href=\"https:\/\/gem.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/image017.jpg\" data-elementor-open-lightbox=\"yes\" data-elementor-lightbox-title=\"Figura 17 - Po\u00e7o estreito terminal.\" data-e-action-hash=\"#elementor-action%3Aaction%3Dlightbox%26settings%3DeyJpZCI6MjIzODcsInVybCI6Imh0dHBzOlwvXC9nZW0ucHRcL3dwLWNvbnRlbnRcL3VwbG9hZHNcLzIwMjZcLzAxXC9pbWFnZTAxNy5qcGcifQ%3D%3D\"><br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t<img loading=\"lazy\" width=\"900\" height=\"506\" src=\"https:\/\/gem.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/image017.jpg\" alt=\"\" decoding=\"async\" srcset=\"https:\/\/gem.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/image017.jpg 900w, https:\/\/gem.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/image017-18x10.jpg 18w\" sizes=\"(max-width: 900px) 100vw, 900px\" \/>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/a><figcaption>Figura 17 - Po\u00e7o estreito terminal.<\/figcaption><\/figure>\n<figure>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<a href=\"https:\/\/gem.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/image018.jpg\" data-elementor-open-lightbox=\"yes\" data-elementor-lightbox-title=\"Figura 18 - Tubulares.\" data-e-action-hash=\"#elementor-action%3Aaction%3Dlightbox%26settings%3DeyJpZCI6MjIzODgsInVybCI6Imh0dHBzOlwvXC9nZW0ucHRcL3dwLWNvbnRlbnRcL3VwbG9hZHNcLzIwMjZcLzAxXC9pbWFnZTAxOC5qcGcifQ%3D%3D\"><br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t<img loading=\"lazy\" width=\"800\" height=\"600\" src=\"https:\/\/gem.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/image018.jpg\" alt=\"\" decoding=\"async\" srcset=\"https:\/\/gem.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/image018.jpg 800w, https:\/\/gem.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/image018-16x12.jpg 16w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/a><figcaption>Figura 18 - Tubulares.<\/figcaption><\/figure>\n<figure>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<a href=\"https:\/\/gem.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/image019.jpg\" data-elementor-open-lightbox=\"yes\" data-elementor-lightbox-title=\"Figura 19 - Caneluras de dissolu\u00e7\u00e3o na base do po\u00e7o P25.\" data-e-action-hash=\"#elementor-action%3Aaction%3Dlightbox%26settings%3DeyJpZCI6MjIzODksInVybCI6Imh0dHBzOlwvXC9nZW0ucHRcL3dwLWNvbnRlbnRcL3VwbG9hZHNcLzIwMjZcLzAxXC9pbWFnZTAxOS5qcGcifQ%3D%3D\"><br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t<img loading=\"lazy\" width=\"800\" height=\"600\" src=\"https:\/\/gem.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/image019.jpg\" alt=\"\" decoding=\"async\" srcset=\"https:\/\/gem.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/image019.jpg 800w, https:\/\/gem.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/image019-16x12.jpg 16w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/a><figcaption>Figura 19 - Caneluras de dissolu\u00e7\u00e3o na base do po\u00e7o P25.<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>Speleometry<\/strong><br \/>Desenvolvimento Total: 100m<br \/>Desenvolvimento Planim\u00e9trico: 31m<br \/>Desn\u00edvel: -42m<\/p>\n<p><strong>Alguns apontamentos de geologia<\/strong><br \/>A gruta pode ser classificada como um <em>vadose shaft<\/em> de acordo com a defini\u00e7\u00e3o de Baro\u00f1, 2003. O algar apresenta caneluras verticais de dissolu\u00e7\u00e3o ao longo das paredes dos po\u00e7os, controlo estrutural por fraturas e uma boca relativamente pequena. O controlo estrutural do desenvolvimento da gruta \u00e9 feito por descontinuidades subverticais de dire\u00e7\u00e3o aproximada N20\u00baW, N40\u00baW, N60-70\u00baW, N40\u00baE e N60\u00baE. Os blocos que atapetam o fundo do\u00a0 P25 resultam pelo menos parcialmente do despejo de blocos e res\u00edduos, a partir da superf\u00edcie, e n\u00e3o s\u00f3 de abatimentos do teto.<\/p>\n<figure>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<a href=\"https:\/\/gem.pt\/1\/en\/publicacoes\/newsletter\/pdfviewer\/?pdf=1kEDVLVoyWD1lGOXdfZD-kpfItRD-28u0\"><br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t<img loading=\"lazy\" width=\"595\" height=\"841\" src=\"https:\/\/gem.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/Algar_da_Pedreira_do_Baptista_PLANTA.jpg\" alt=\"\" decoding=\"async\" srcset=\"https:\/\/gem.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/Algar_da_Pedreira_do_Baptista_PLANTA.jpg 595w, https:\/\/gem.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/Algar_da_Pedreira_do_Baptista_PLANTA-8x12.jpg 8w\" sizes=\"(max-width: 595px) 100vw, 595px\" \/>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/a><figcaption>Figura 20 -  Planta do algar da Pedreira do Batista (clique para ver em formato pdf)<\/figcaption><\/figure>\n<figure>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<a href=\"https:\/\/gem.pt\/1\/en\/publicacoes\/newsletter\/pdfviewer\/?pdf=1FFQLyMi5NmQLpYE42fNA9D2hY6yHTPSr\"><br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t<img loading=\"lazy\" width=\"595\" height=\"841\" src=\"https:\/\/gem.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/Algar_da_Pedreira_do_Baptista_ALCADO.jpg\" alt=\"\" decoding=\"async\" srcset=\"https:\/\/gem.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/Algar_da_Pedreira_do_Baptista_ALCADO.jpg 595w, https:\/\/gem.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/Algar_da_Pedreira_do_Baptista_ALCADO-8x12.jpg 8w\" sizes=\"(max-width: 595px) 100vw, 595px\" \/>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/a><figcaption>Figura 21 -  Al\u00e7ado rebatido do algar da Pedreira do Batista (clique para ver em formato pdf)<\/figcaption><\/figure>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Espeleog\u00e9nese<\/p>\n<p><strong>Regime de Forma\u00e7\u00e3o das Cavidades<\/strong><br \/>As cavidades s\u00e3o controladas estruturalmente por v\u00e1rias fam\u00edlias de descontinuidades, apresentando uma organiza\u00e7\u00e3o muito simples sem ramifica\u00e7\u00f5es, sendo a morfologia das passagens (nos casos em que n\u00e3o se verificou uma destrui\u00e7\u00e3o da estrutura original, por abatimentos) alta e estreita, mantendo de um modo grosseiro a forma da descontinuidade ao longo da qual se desenvolveram, geralmente subvertical. Todas estas caracter\u00edsticas s\u00e3o definidas por B\u00f6gli (1980) como sendo de cavidades de origem vadosa prim\u00e1ria. As caneluras que se desenvolvem ao longo dos po\u00e7os s\u00e3o formadas, segundo Baro\u00f1 (2003) pelo efeito corrosivo e erosivo da \u00e1gua que escorre, goteja, ou segundo Lauritzen e Lundberg (2000), pela pr\u00f3pria aspers\u00e3o da \u00e1gua ao longo das paredes de fraturas subverticais (o que \u00e9, ali\u00e1s, t\u00edpico do regime vadoso, segundo os mesmos autores). Com base nas observa\u00e7\u00f5es acima referidas podemos afirmar que estas grutas ter\u00e3o sido formadas em regime exclusivamente vadoso.<\/p>\n<p>O desenvolvimento das cavidades sempre ao longo de descontinuidades subverticais, a exist\u00eancia de v\u00e1rios po\u00e7os que cresceram ao longo das mesmas descontinuidades, ligados entre si por passagens estreitas, possivelmente com uma evolu\u00e7\u00e3o separada antes da liga\u00e7\u00e3o, o regime vadoso de desenvolvimento, e a termina\u00e7\u00e3o dos v\u00e1rios po\u00e7os mais profundos das grutas em passagens intranspon\u00edveis ou em caos de blocos apontam para que estas grutas se encontrem instaladas numa zona epic\u00e1rsica.<\/p>\n<p>O epicarso serve como um sistema de condu\u00e7\u00e3o da \u00e1gua desde a superf\u00edcie at\u00e9 a sistemas de condutas no interior do maci\u00e7o, que podem inclusive n\u00e3o estar geneticamente relacionados com as cavidades do epicarso. Esta liga\u00e7\u00e3o ser\u00e1 feita atrav\u00e9s de drenos, que na sua maioria, s\u00e3o de dimens\u00f5es intranspon\u00edveis e que muitas vezes se encontram cobertos por blocos resultantes de abatimentos.<\/p>\n<p><strong>Desenvolvimento das Cavidades<\/strong><br \/>A morfologia destes algares e o seu enquadramento apresenta muitas semelhan\u00e7as aos dos \u201cKarst Shafts\u201d descritos por Baron (2003). O desenvolvimento das cavidades em estudo \u00e9 descrito, de forma simplificada, de acordo com as fases propostas por B\u00f6gli (1980).<\/p>\n<p>Fase Inicial (a e b da Fig. 22). Os algares ter-se-\u00e3o come\u00e7ado a desenvolver a partir da infiltra\u00e7\u00e3o de \u00e1gua de precipita\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s de descontinuidades pr\u00e9-existentes na base do epicarso, que recebem \u00e1gua do mesmo.<\/p>\n<p>Fase Jovem (c da Fig. 22). Devido \u00e0 corros\u00e3o provocada pelas \u00e1guas de infiltra\u00e7\u00e3o d\u00e1-se um aumento da abertura das descontinuidades passando estas a ter uma dimens\u00e3o que as permite considerar como grutas. Temos de colocar a hip\u00f3tese dos v\u00e1rios po\u00e7os que constituem cada um dos algares terem tido nesta fase e na anterior um desenvolvimento em separado, isto explicaria o facto das grutas serem constitu\u00eddas por uma s\u00e9rie de po\u00e7os com desenvolvimento paralelo e ligados de uma forma geral por passagens estreitas. Baron (2003) admite que ao longo de uma mesma fratura se podem desenvolver v\u00e1rias cavidades separadas.<\/p>\n<p>Ter-se-\u00e1 seguido uma fase de maturidade (d da Fig. 22) caracterizada pelo alargamento das cavidades devido sobretudo \u00e0 corros\u00e3o provocada pela \u00e1gua de infiltra\u00e7\u00e3o. Ter\u00e1 sido nesta fase (segundo o modelo de Baron (2003)) que se deu a abertura das bocas das cavidades \u00e0 superf\u00edcie. A fase de maturidade prolongou-se at\u00e9 ao in\u00edcio da ocorr\u00eancia de fen\u00f3menos de abatimento.<\/p>\n<p>Segue-se a fase tardia do desenvolvimento das cavidades (e da Fig. 22). A fase tardia caracteriza-se pela paragem ou diminui\u00e7\u00e3o do desenvolvimento das cavidades por processos corrosivos e por ser tipicamente a altura de excel\u00eancia (B\u00f6gli, 1980), e pela ocorr\u00eancia de abatimentos no interior. Os abatimentos ocorreram de prefer\u00eancia segundo superf\u00edcies de estratifica\u00e7\u00e3o ao longo dos tetos. Isto explica o facto dos tetos de grande parte dos po\u00e7os serem planos. Os abatimentos formaram os blocos que preenchem parte das cavidades e que preenchem o fundo da maioria dos po\u00e7os. Os blocos abatidos juntamente com as concre\u00e7\u00f5es alteraram a morfologia original das grutas. O concrecionamento ocorreu antes e ap\u00f3s os epis\u00f3dios de abatimento, pois encontram-se tamb\u00e9m concre\u00e7\u00f5es abatidas e muitos dos blocos que preenchem as cavidades apresentam-se cobertos por novas concre\u00e7\u00f5es. Os blocos e calhaus rochosos, bem como os sedimentos litoqu\u00edmicos podem ser atribu\u00eddos essencialmente a esta fase.<\/p>\n<figure>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<a href=\"https:\/\/gem.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/image022.jpg\" data-elementor-open-lightbox=\"yes\" data-elementor-lightbox-title=\"image022\" data-e-action-hash=\"#elementor-action%3Aaction%3Dlightbox%26settings%3DeyJpZCI6MjIzMjMsInVybCI6Imh0dHBzOlwvXC9nZW0ucHRcL3dwLWNvbnRlbnRcL3VwbG9hZHNcLzIwMjVcLzEyXC9pbWFnZTAyMi5qcGcifQ%3D%3D\"><br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t<img loading=\"lazy\" width=\"1134\" height=\"755\" src=\"https:\/\/gem.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/image022.jpg\" alt=\"\" decoding=\"async\" srcset=\"https:\/\/gem.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/image022.jpg 1134w, https:\/\/gem.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/image022-18x12.jpg 18w\" sizes=\"(max-width: 1134px) 100vw, 1134px\" \/>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/a><figcaption>Figura 22 - Fases de desenvolvimento de um vadose shaft segundo Baron (2003)<\/figcaption><\/figure>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Conclus\u00e3o<\/p>\n<p>Os algares em estudo (Algar da Moita das Porcas I, Algar da Moita das Porcas II e Algar da Pedreira do Batista) s\u00e3o cavidades com desenvolvimento essencialmente vertical, com profundidades na ordem de grandeza das v\u00e1rias dezenas de metros, que se desenvolveram, em regime vadoso, na base da zona epic\u00e1rsica do Planalto de S\u00e3o Mamede, numa estrutura monoclinal, em calc\u00e1rios do Jur\u00e1ssico M\u00e9dio.<\/p>\n<p>As grutas apresentam as caracter\u00edsticas e um desenvolvimento t\u00edpico dos <em>vadose shaft<\/em> descritos por Baro\u00f1 (2023), nomeadamente caneluras de dissolu\u00e7\u00e3o ao longo dos po\u00e7os, bocas relativamente estreitas, desenvolvimento vertical, e po\u00e7os controlados por fraturas subverticais, que coalescem uns com os outros. Atualmente as grutas encontram-se num estado tardio de desenvolvimento, apesar de se continuar a verificar a infiltra\u00e7\u00e3o de \u00e1gua a partir da superf\u00edcie.<\/p>\n<p>Bibliografia<\/p>\n<ul style=\"margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; padding-right: 0.3em; padding-left: 2em; clear: both;\">\n<li>Baro\u00f1, Ivo (2003) - Speleogenesis along subvertical joints: A model of plateau karst shaft development: A case study: the Doln\u00fd Vrch Plateau (Slovak Republic), Cave&amp; Karst Science 29 (1), 2002, 5-12.<\/li>\n<li>Bogli, Alfred, 1980, Karst Hidrology and Physical Speleology, Springer-Verlag, Berlin Heidelberg New York.<\/li>\n<li>Crispim, J. A. (1995) \u2013 Din\u00e2mica C\u00e1rsica e Implica\u00e7\u00f5es Ambientais nas Depress\u00f5es de Aluados e Minde. Disserta\u00e7\u00e3o apresentada \u00e0 Universidade de Lisboa para a obten\u00e7\u00e3o do grau de Doutor em Geologia especialidade de Geologia do Ambiente. Faculdade de Ci\u00eancias da Universidade de Lisboa Departamento de Geologia. 394 pp.<\/li>\n<li>G.; Manuppella, et al. (2000) \u2013 Carta Geol\u00f3gica de Portugal \u2014 Vila Nova de Our\u00e9m, folha 27-A, escala 1 :50000, e respectiva Not\u00edcia Explicativa, Instituto Geol\u00f3gico e Mineiro, Lisboa.<\/li>\n<li>Carta Militar de Portugal \u00e0 escala 1\/25000, folha 318 \u2013 Mira de Aire (Porto de M\u00f3s) Edi\u00e7\u00e3o 3 \u20132004, Instituto Geogr\u00e1fico do Ex\u00e9rcito.<\/li>\n<\/ul>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Contribui\u00e7\u00e3o ao levantamento de cavidades no Planalto de S\u00e3o Mamede 21 de Dezembro de 2025 Rodrigues,\u00a0Paulo\u00a01,2,3\u00a0&#8211; introdu\u00e7\u00e3o, enquadramento geol\u00f3gico e hidrogeol\u00f3gico, resenhas hist\u00f3ricas, espeleog\u00e9nese, conclus\u00e3oRodrigues, Afonso\u00a01\u00a0&#8211; descri\u00e7\u00f5es, fotografias\u00a0 Grupo de Espeleologia e Montanhismo, Rua General Pereira de E\u00e7a, n\u00ba30, 2380-075 Alcanena N\u00facleo dos Amigos das Lapas Grutas e Algares\u00a0 Comiss\u00e3o Cient\u00edfica da Federa\u00e7\u00e3o Portuguesa de [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":20,"featured_media":0,"parent":1574,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":{"footnotes":""},"class_list":["post-22319","page","type-page","status-publish","hentry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/gem.pt\/1\/en\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/22319","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/gem.pt\/1\/en\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/gem.pt\/1\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gem.pt\/1\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/20"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gem.pt\/1\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=22319"}],"version-history":[{"count":28,"href":"https:\/\/gem.pt\/1\/en\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/22319\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":22447,"href":"https:\/\/gem.pt\/1\/en\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/22319\/revisions\/22447"}],"up":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gem.pt\/1\/en\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/1574"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/gem.pt\/1\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=22319"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}