{"id":7991,"date":"2015-12-26T14:43:28","date_gmt":"2015-12-26T14:43:28","guid":{"rendered":"https:\/\/gem.pt\/1\/?page_id=7991"},"modified":"2021-01-26T21:12:15","modified_gmt":"2021-01-26T21:12:15","slug":"sumidouros-do-polje-de-minde","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/gem.pt\/1\/en\/publicacoes\/carso-e-endocarso\/sumidouros-do-polje-de-minde\/","title":{"rendered":"Sumidouros do Polje de Minde"},"content":{"rendered":"<figure>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/gem.pt\/wp-content\/uploads\/elementor\/thumbs\/Foto1r-p1y6cm2zzji6u3ej7ema86akez016ttz5x3vscbc80.jpg\" title=\"Foto1r\" alt=\"Foto1r\" \/><figcaption>Sumidouros do Polje de Minde<\/figcaption><\/figure>\n<p>\t\t26 de Dezembro de 2015<\/p>\n<p>Introdu\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>At\u00e9 ao momento conhecem-se no polje de Minde cerca de uma trintena de sumidouros. Os sumidouros distribuem-se ao longo das linhas de \u00e1gua tempor\u00e1rias que sulcam o fundo do polje, das quais se destaca a ribeira da Pena, e no fundo de algumas dolinas. Os sumidouros encontram-se sobretudo ao longo de uma faixa central do polje, com uma maior concentra\u00e7\u00e3o na metade Este do polje. Apenas os sumidouros da Pousia do Parramal e do algar do Jo\u00e3o da Ruiva se situam no extremo SE do polje, pr\u00f3ximos da Costa de Minde.\u00a0A grande maioria dos sumidouros encontra-se obstru\u00edda \u00e0 boca, exigindo trabalhos de desobstru\u00e7\u00e3o pesados para a sua explora\u00e7\u00e3o. Dos trabalhos j\u00e1 realizados, os sumidouros que d\u00e3o um acesso franco a grutas s\u00e3o pouco comuns, e o seu acesso deve-se em grande parte a trabalhos de desobstru\u00e7\u00e3o realizados no passado. Este facto associado \u00e0 extens\u00e3o reduzida das grutas at\u00e9 agora exploradas (algumas dezenas de metros), exiguidade dos espa\u00e7os e necessidade de realizar desobstru\u00e7\u00f5es mesmo no interior da gruta, tornam o projecto trabalhoso e algo penoso. O potencial das grutas \u00e9 por\u00e9m elevado. Os sumidouros drenam uma grande massa de \u00e1gua que quase todos os anos inunda o polje de Minde e, atrav\u00e9s de tra\u00e7agens (Crispim, 1995), foi poss\u00edvel ligar alguns sumidouros \u00e0s nascentes do Almonda, Vila Moreira e Alviela, deixando antever uma poss\u00edvel liga\u00e7\u00e3o entre sistemas distintos do Maci\u00e7o Calc\u00e1rio Estremenho (MCE). \u00c9 nosso objetivo, dentro das nossas limita\u00e7\u00f5es, proceder ao levantamento sistem\u00e1tico dos sumidouros e topografia dos mesmos, quando poss\u00edvel.\t\t<\/p>\n<figure>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<a href=\"https:\/\/gem.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/Fig1.jpg\" data-elementor-open-lightbox=\"yes\" data-elementor-lightbox-title=\"Figura 1 \u2013 Localiza\u00e7\u00e3o dos sumidouros do polje de Minde em fotografia de sat\u00e9lite\"><br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1077\" height=\"575\" src=\"https:\/\/gem.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/Fig1.jpg\" alt=\"\" \/>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/a><figcaption>Figura 1 \u2013 Localiza\u00e7\u00e3o dos sumidouros do polje de Minde em fotografia de sat\u00e9lite<\/figcaption><\/figure>\n<p>Resenha hist\u00f3rica<br \/>\nDa pesquisa feita, que n\u00e3o se pretende seja exaustiva, a refer\u00eancia mais antiga e quase \u00fanica, que foi encontrado aos sumidouros data de 1977, no Algarocho 6-7, da Sociedade Portuguesa de Espeleologia (SPE). O boletim refere os trabalhos realizados em alguns sumidouros, apresentando um esbo\u00e7o topogr\u00e1fico da Pousia dos Algares, um esbo\u00e7o de mem\u00f3ria do Algar do Z\u00e9 Lenha, descreve as duas cavidades atr\u00e1s referidas e ainda uma outra no sumidouro da Barroca da Abelha e contem ainda algumas notas sobre a geologia dos sumidouros.<br \/>\nDe acordo com comunica\u00e7\u00e3o pessoal de Fernando Pires\u00a0ainda nos anos 90,\u00a0a SPE, em conjunto com a j\u00e1 extinta Associa\u00e7\u00e3o Portuguesa de Investiga\u00e7\u00e3o Espeleol\u00f3gica (APIE), realizou ainda alguns trabalhos nos sumidouros. \u00a0<br \/>\nA quem possa completar esta resenha agradece-se o seu contributo.\u00a0<\/p>\n<p>Trabalhos realizados<\/p>\n<p>Os trabalhos iniciaram-se em 2012 com o levantamento de campo dos sumidouros, tendo-se os trabalhos de levantamento sido retomados e conclu\u00eddos no Ver\u00e3o de 2015 (se \u00e9 que este trabalho alguma vez se pode considerar conclu\u00eddo). Ainda no Ver\u00e3o de 2015 foram explorados os\u00a0Algar do Z\u00e9 Lenha, Algar\u00f5es e Pousia dos Algares.\u00a0A 21 e 22 de Novembro foram realizados trabalhos de topografia no Algar do Z\u00e9 Lenha e Pousia do Algares, bem como levantamento de mais alguns sumidouros e trabalhos de desobstru\u00e7\u00e3o.\u00a0<\/p>\n<p>Sumidouros topografados<\/p>\n<p>O Algar do Z\u00e9 Lenha abre-se numa dolina com uma largura m\u00e1xima de cerca de 20m, sendo vis\u00edvel no extremo Este a entrada para a gruta. De acordo com Crispim, 1978, este \u00e9 um dos \u00faltimos sumidouros da ribeira da Pena. A ribeira ao chegar ao sumidouro apresenta um entalhe de cerca de 3m de profundidade, em rela\u00e7\u00e3o ao n\u00edvel m\u00e9dio do fundo do polje, e forma um vale cego, com as paredes muradas e o fundo coberto de blocos.\u00a0\t\t<\/p>\n<figure>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<a href=\"https:\/\/gem.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/Foto1-1.jpg\" data-elementor-open-lightbox=\"yes\" data-elementor-lightbox-title=\"Figura 2 \u2013 Boca do Algar do Z\u00e9 Lenha (Foto: Alexandre Leal)\"><br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"960\" height=\"720\" src=\"https:\/\/gem.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/Foto1-1.jpg\" alt=\"\" \/>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/a><figcaption>Figura 2 \u2013 Boca do Algar do Z\u00e9 Lenha (Foto: Alexandre Leal)<\/figcaption><\/figure>\n<p>\t\tA Pousia dos Algares refere-se a uma zona plana onde abundam buracos, semelhantes a tocas, abertos nos sedimentos de cobertura e que depois penetram nos calc\u00e1rios subjacentes. Estes buracos de uma forma geral t\u00eam uma continua\u00e7\u00e3o muito reduzida ou s\u00e3o mesmo impenetr\u00e1veis. Um deles apresenta por\u00e9m desenvolvimento consider\u00e1vel e foi este que foi topografado.\u00a0Os dois sumidouros topografados apresentam vest\u00edgios de desobstru\u00e7\u00f5es com meios pesados.\u00a0Espeleometria<\/p>\n<p>Algar do Z\u00e9 Lenha<\/p>\n<p>Desenvolvimento: 84m, Desn\u00edvel:19m.&nbsp;<\/p>\n<figure>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<a href=\"\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/algar-ze-da-lenhaP.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/gem.pt\/wp-content\/uploads\/elementor\/thumbs\/Fig2-Algar-do-Ze-Lenha-Planta-p1y638mmvbn6v0aiw0czhv0vqtjlv4ks8t37a6jpr4.jpg\" title=\"Figura 3a \u2013 Planta do Algar do Z\u00e9 Lenha\" alt=\"Figura 3a \u2013 Planta do Algar do Z\u00e9 Lenha\" \/>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/a><figcaption>Figura 3a \u2013 Planta do Algar do Z\u00e9 Lenha<\/figcaption><\/figure>\n<figure>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<a href=\"\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/algar-ze-da-lenhaS.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1052\" height=\"744\" src=\"https:\/\/gem.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/Fig2-Algar-ze-da-lenha-Perfil.jpg\" alt=\"\" \/>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/a><figcaption>Figura 3b \u2013 Perfil do Algar do Z\u00e9 Lenha<\/figcaption><\/figure>\n<figure>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<a href=\"\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/algar-ze-da-lenhaP.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/gem.pt\/wp-content\/uploads\/elementor\/thumbs\/Fig3-Pousia-dos-algares-Planta-p1y63bg5ftr1tu6ffjkv7cb9iz5pi7vz971nq0fj8g.jpg\" title=\"Figura 4a \u2013 Planta da Pousia dos Algares\" alt=\"Figura 4a \u2013 Planta da Pousia dos Algares\" \/>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/a><figcaption>Figura 4a \u2013 Planta da Pousia dos Algares<\/figcaption><\/figure>\n<figure>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<a href=\"\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/algar-ze-da-lenhaS.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1052\" height=\"744\" src=\"https:\/\/gem.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/Fig3-Pousia-dos-algares-Perfil.jpg\" alt=\"\" \/>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/a><figcaption>Figura 4b \u2013 Perfil da Pousia dos Algares<\/figcaption><\/figure>\n<p>Algumas notas de geologia<br \/>\nOs sumidouros desenvolvem-se em calc\u00e1rios do Jur\u00e1ssico Superior da forma\u00e7\u00e3o de Caba\u00e7os e Montejunto. As bocas de muitos sumidouros abrem-se ao longo das superf\u00edcies de estratifica\u00e7\u00e3o, indicando um controlo das cavidades por estas descontinuidades. De acordo com Crispim, 1978 quer no Algar do Z\u00e9 Lenha, quer na Pousia dos Algares as di\u00e1clases apresentam tamb\u00e9m um papel importante no controlo estrutural das cavidades.<br \/>\nA superf\u00edcie do fundo do polje de Minde tem uma cota que ronda os 200m, as bocas dos dois sumidouros, est\u00e3o tamb\u00e9m a cotas pr\u00f3ximas deste valor.<br \/>\nDe acordo com Crispim, 1995, o Algar do Z\u00e9 Lenha ter\u00e1 um caudal m\u00e1ximo da ordem de grandeza de 100 l\/s, apesar do autor advertir para a dificuldade de calculo destes valores.<br \/>\nSegundo Crispim, 1995, em 1989, uma tra\u00e7agem provou que pelo\u00a0menos parte da \u00e1gua que se some no Algar do Z\u00e9 Lenha surge na nascente de Vila Moreira e na nascente do Almonda.<br \/>\nAinda de acordo com Crispim, 1995, uma tra\u00e7agem realizada em 1986\u00a0com inje\u00e7\u00e3o de tra\u00e7ador num outro sumidouro, a Pousia do Parramal, demonstraram a liga\u00e7\u00e3o entre este sumidouro e as nascentes de Vila Moreira e\u00a0do Alviela.\t\t<\/p>\n<figure>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<a href=\"https:\/\/gem.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/Fig4.jpg\" data-elementor-open-lightbox=\"yes\" data-elementor-lightbox-title=\"Figura 5 \u2013 Localiza\u00e7\u00e3o de alguns sumidouros num extrato da folha 27-A da Carta Geol\u00f3gica de Portugal \u00e0 escala 1\/50000\"><br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1077\" height=\"575\" src=\"https:\/\/gem.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/Fig4.jpg\" alt=\"\" \/>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/a><figcaption>Figura 5 \u2013 Localiza\u00e7\u00e3o de alguns sumidouros num extrato da folha 27-A da Carta Geol\u00f3gica de Portugal \u00e0 escala 1\/50000<\/figcaption><\/figure>\n<p>Participantes<\/p>\n<p>As atividades do projeto sumidouros contaram com a participa\u00e7\u00e3o dos seguintes espele\u00f3logos nos trabalhos de campo por ordem alfab\u00e9tica:\u00a0Alexandra Leal, Alexandre Leal, Andreia Monteiro, Andr\u00e9 Reis, H\u00e9lio Frade, Jos\u00e9 Ribeiro, Marco Messias, Paulo Rodrigues, Pedro Aguiar,\u00a0Rodrigo Leal.\u00a0Uma palavra de agradecimento a Pedro Robalo o homem do cadastro e dos SIG.\u00a0Os espele\u00f3logos participantes pertencem \u00e0s seguintes associa\u00e7\u00f5es, por ordem alfab\u00e9tica:\u00a0CEAE-LPN \u2013 Centro de Estudos a Atividades Especiais da Liga para a Protec\u00e7\u00e3o da Natureza, e GEM - Grupo de Espeleologia e Montanhismo.\u00a0<\/p>\n<p>Bibliography<\/p>\n<ul style=\"margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; padding-right: 0.3em; padding-left: 2em; clear: both;\">\n<li style=\"padding: 0px;\">Crispim,\u00a0J.A. (1995). Din\u00e2mica C\u00e1rsica e Implica\u00e7\u00f5es Ambientais nas Depress\u00f5es de Alvados e Minde. Tese de Doutoramento em Geologia, especialidade de Geologia do Ambiente. Departamento de Geologia. Faculdade de Ci\u00eancias, Universidade de Lisboa.<\/li>\n<li style=\"padding: 0px;\">Crispim,\u00a0J.A. e Vitor Leal, 1978, Regatinho 77, Algarocho 6-7, 1977\/78, Boletim Interno da Sociedade Portuguesa de Espeleologia, Lisboa.\u00a0<\/li>\n<li style=\"padding: 0px;\">Manupella, G., Telles Antunes, M., Costa Almeida, C.A., Azer\u00eado, A.C., Barbosa, B., Cardoso, J.L., Crispim, J.A., Duarte, L.V., Henriques, M.H.,\u00a0 Martins, L.T.,\u00a0 Ramalho, M.M.; Santos, V.F.; Terrinha. P.;\u00a0 (2000). Carta Geol\u00f3gica de Portugal - Vila Nova de Our\u00e9m, Folha 27-A, \u00e1 escala 1:50000, e Nota Explicativa, Instituto Geol\u00f3gico e Mineiro, Lisboa.<\/li>\n<\/ul>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sumidouros do Polje de Minde 26 de Dezembro de 2015 Introdu\u00e7\u00e3o At\u00e9 ao momento conhecem-se no polje de Minde cerca de uma trintena de sumidouros. Os sumidouros distribuem-se ao longo das linhas de \u00e1gua tempor\u00e1rias que sulcam o fundo do polje, das quais se destaca a ribeira da Pena, e no fundo de algumas dolinas. 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