Rodrigues, Afonso 1 – texto e topografia
- Grupo de Espeleologia e Montanhismo, Rua General Pereira de Eça, nº30, 2380-075 Alcanena
- Núcleo dos Amigos das Lapas Grutas e Algares
- Comissão Científica da Federação Portuguesa de Espeleologia,Estrada Calhariz de Benfica, 187, 1500-124 Lisboa
Enquadramento Geológico
As zonas em estudo encontram-se na Serra dos Candeeiros, formada por um anticlinal de direção aproximada NE-SW, que deformou sobretudo terrenos do Jurássico Médio e Superior.
A maior parte das grutas abaixo mencionadas abrem-se na proximidade do Vértice Geodésico da Serra dos Candeeiros, em calcários dos andares Caloviano, Batoniano e Bajociano, época do Jurássico Médio (Folha 26-D da Carta Geológica de Portugal à escala 1:50000). Trata-se de uma zona relativamente homogénea (apenas com uma formação) e sem acidentes geológicos notáveis, a oeste da localidade de Alcobertas (fig. 1). A Folha 27-A da Carta Geológica de Portugal à escala 1:50000, mais recente que a 26-D, representa porém um conjunto de falhas que atravessam a Serra dos Candeeiros, ora paralelas ora perpendiculares à direção da Serra, que provavelmente se prolongam para Sul em direção à área em estudo. As camadas parecem estar localmente subhorizontais, provavelmente por se estar na charneira do anticlinal da Serra dos Candeeiros.
Já o Algar Canhão dos Cães, Algar Antigo, Gruta da Pedreira 1 e ponto 12 localizam-se no Cabeço Gordo, uma zona mais setentrional da Serra dos Candeeiros. As cavidades desenvolvem-se na formação “Camadas do Montejunto”, datada do andar Kimeridgiano, Jurássico Superior (folha 26-B da Carta Geológica de Portugal 1:50000). A zona é atravessada por duas falhas cartografas, uma com direção NW-SE e outra grosseiramente N-S (fig. 2).
Algar do Sai-Daí
Descrição: A cavidade é um algar de infiltração que parece abrir-se ao longo de uma pequena fratura de atitude N10ºE/Vertical, desenvolvendo-se depois principalmente por outras diaclases de direções próximas a E-W e N-S, todas verticais (fig. 3). Tem uma sala lateral concrecionada, incluindo uma pérola (fig. 7), que se alcança ou com um pequeno pêndulo, ou com um destrepe a partir do patamar debaixo da entrada. O ponto mais fundo, em rampa de pedras, tem dois pequenos meandros sem continuidade e sem corrente de ar. Ao longo do poço veem-se caneluras de dissolução, conforme Baroñ (2003).
Acesso: Alto dos Candeeiros, perto da estrada.
Notas: Foi equipado um corrimão para verificar a parte mais distal (relativamente à entrada) da zona superior da diaclase, e viu-se que não tem continuidade.
Algar do Marco Geodésico
Descrição: Trata-se de uma gruta de pouca extensão que desce gradualmente, em curva. Em certas zonas do teto veem-se superfícies arredondadas (fig. 9), podendo ser uma indicação de antigo regime freático, ou alternativamente resultado de corrosão por condensação. A rampa de blocos termina num colmatamento sem corrente de ar notável. A cavidade é estruturalmente controlada por duas fraturas E-W/Vertical e por uma N60ºW/Vertical (fig. 10).
Acesso: No alto dos Candeeiros, debaixo de um pinheiro-manso.
Algar do Rochio Largo
Descrição: Provável vadose shaft controlado por uma fratura de direção grosseiramente E-W, tendo duas entradas, uma das quais demasiado estreita e intransponível. As paredes a partir de cerca dois metros de profundidade estão todas cobertas de concreção. Da boca, desce-se até se atingir um fundo quase plano de blocos; daí, um pequeno destrepe leva a um patamar mais baixo. Deste ponto parte um pequeno meandro estreito e sem continuidade, e outra passagem estreita que dá acesso a um segundo ressalto geneticamente equivalente ao poço inicial, atingindo novo fundo de sedimento fino e blocos. Veem-se as ossadas de um animal pequeno.
Acesso: Alto dos Candeeiros, na proximidade da antena.
Notas: Tem dois blocos a tapar a entrada. Um é removível, o outro foi fixado à parede antes de se entrar.
Gruta dos Sapinhos
Descrição: A gruta é uma pequena sala com entrada vertical e fundo de blocos. Tinha no interior uma garrafa de UCAL já com uns bons 40 anos. Há uma passagem estreita que porta a outro espaço de pequena dimensão, com fundo de lama.
Acesso: Alto dos Candeeiros, muito perto da estrada.
Algar da Perdiz
Sinonímia: Algar do Caminho, Sumidouro de Chãos.
Descrição: Trata-se de um pequeno vadose shaft de largura média, estando o fundo coberto de blocos e matéria orgânica. Apresenta paredes com marcas de corrosão intensa (fig. 18) e caneluras de dissolução.
Acesso: Na vertente entre as Alcobertas e o alto dos Candeeiros, abrindo-se à beira da estrada de terra, com mato por cima.
Ponto 15
Coordenadas: 39.43695º, -8.91774º (WGS84).
Descrição: A cavidade tratava-se inicialmente de um pequeno orifício no solo (fig. 22). Foi feita a desobstrução à superfície (Luís Meira Paulo, Maria Miguel Gomes e Afonso Rodrigues em 2025-06-14, fig. 20), possibilitando a entrada: chega-se a um fundo passados cerca 4m e o canto do poço, colmatado por pedras, deita boa corrente de ar, mas é um espaço muito apertado e difícil de trabalhar. Vale a pena fazer uma reinvestida, condicionada a espeleólogos de reduzida dimensão.
Acesso: Na vertente entre as Alcobertas e o alto dos Candeeiros, abrindo-se à beira da estrada de terra, com mato por cima.
Algar do Cabeço da Pedreira
Descrição: Gruta vertical com dois poços de largura considerável. A entrada abre-se num lapiás de fissuras profundas (fig. 24). O primeiro poço tem controlo por uma fratura N40°W/Vertical, e o resto da cavidade forma-se ao longo de duas fraturas N40°E/Vertical. Tem génese vadosa, mas parece intercetar alguns pequenos vazios freáticos ao início. No interior do mais evidente, parecem existir pequenas vagas de erosão (em forma de “flutes”). As superfícies do algar são todas arredondadas por ação de condensação, e tem a estratificação sub-horizontal bem visível. No fim do último vertical acede-se a uma zona em canhão de altura e volume consideráveis, com rampa de blocos descendente e instável. No extremo há três abatimentos enormes a meio do espaço, e parece que o antigo vazamento está colmatado pelos maciços e por blocos soltos. A fratura que controla a sala cria também um pequeno meandro elevado; é possível aceder a um pequeno nível superior, trepando um dos blocos em oposição. Há uma quantidade inquietante de ossadas de cães espalhadas pelo espaço.
Acesso: A meia vertente de um cabeço a norte do Cabeço Gordo. Chega-se lá por um caminho florestal que sai da estrada principal; com jipe pode entrar-se pelo caminho, estacionando onde termina, a 39.51220º, -8.89021º (WGS84), senão tem de se deixar o carro na estrada e faz-se tudo a pé. Passando o ponto acima indicado segue-se por caminhos de caçadores até à boca.
Algar Antigo
Coordenadas: 39.50055º, -8.88714º (WGS84)
Descrição: Pequeno poço “cego” com fundo colmatado. Desobstrução de Luís Meira Paulo, Maria Miguel Gomes e Afonso Rodrigues em 2025-06-14. Abre-se na proximidade do Algar da Figueira do Cabeço Gordo, uma cavidade com acesso condicionado devido à presença de gralhas-de-bico-vermelho nidificantes.
Acesso: Cabeço Gordo, convém ter jipe para chegar à zona.
Gruta da Pedreira 1 (destruída)
Coordenadas: 39.50611º, -8.88840º (WGS84)
Descrição: Tratava-se de uma pequena cavidade constante no cadastro do GEM, que se abria numa pedreira entretanto desativada e preenchida com inertes (fig. 29). A cavidade é portanto inacessível.
Ponto 12
Coordenadas: 39.50050º, -8.88708º (WGS84)
Descrição: Imediatamente ao lado do Algar Antigo. É um pequeno vazio tapado por bloco grande, tem uns 2-3 metros de fundura mas parece atingir argila, tal como o primeiro (fig. 30).
Ponto 16
Coordenadas: 39.43920º, -8.91788º (WGS84)
Descrição: Pequena entrada no solo, com pouco interesse (fig. 31).
Referências bibliográficas
- Baroñ, Ivo (2003) – Speleogenesis along subvertical joints: A model of plateau karst shaft development: A case study: the Dolný Vrch Plateau (Slovak Republic), Cave& Karst Science 29 (1), 2002, 5-12.
- Manupella, M. Telles Antunes, C.A. Costa Almeida, A.C. Azerêdo, B. Barbosa, J.L. Cardoso, J.A. Crispim, L.V. Duarte, M.H. Henriques, L.T. Martins, M.M. Ramalho, V.F. Santos, P. Terrinha. (2000) – Carta Geológica de Portugal — Vila Nova de Ourém, Folha 27-A, escala 1 :50000, e respetiva Notícia Explicativa, Instituto Geológico e Mineiro, Lisboa.
- G. Zbyszewski e J. Camarate França (1961) Folha 26 B Alcobaça, Carta Geológica de Portugal à escala 1:50000 e respetiva Notícia Explicativa (1963), Serviços Geológicos de Portugal, Lisboa.
- G. Zbyszewski e R. de Matos (1959) Folha 26-D Caldas da Rainha da Carta Geológica de Portugal à escala 1:50000 e respetiva Notícia Explicativa (1960), Serviços Geológicos de Portugal, Lisboa.
