Introdução
Foi a 4/1/2015 que durante uma atividade de verificação do cadastro do grupo de São Bento, realizada pelo GEM, se visitou o ponto marcado como A102. O ponto fica situado numa vertente de uma dolina com largas dezenas de metros de diâmetro, mas de vertentes pouco inclinada. O ponto foi fácil de encontrar já que se tratava de uma depressão coberta de blocos, possivelmente ali postos para tapar o buraco.
Apesar de não se ver nenhuma entrada clara, o grupo deitou mão à obra e, entusiasmados, removeram os blocos dando acesso a uma primeira gruta denominada de A102A. A gruta não apresentava sinais de qualquer equipagem anterior nem de ter sido explorada anteriormente. A exploração e topografia coube aos espeleólogos, por ordem alfabética: Alexandre Leal (GEM), Andreia Monteiro (LPN-CEAE) e Sandra Lopes (LPN-CEAE). Rapidamente se percebeu que o poço tinha umas dezenas de metros de profundidade e o grupo desceu entusiasmado.
Cá fora o resto da equipa dividiu-se em duas tarefas: Alexandra Leal montou o abrigo para proteger os futuros espeleólogos mais jovens do país da chuva que se avizinhava, e os restantes, por ordem alfabética: Carolina Camelo (GEM), José Marques (GEM) e Paulo Rodrigues (GEM/NALGA) dedicaram-se a alargar um outro buraco situado na ponta da depressão oposta à do Algar A102A. Este buraco deu mais luta a abrir, mas depois de um par de horas de muito suor e muita pedra tirada, esta equipa lá abriu o buraco sobre uma chuva que entretanto se tornara intensa. A gruta foi finalmente descida e topografada pela equipa que se dedicou à desobstrução.
Localização
Espeleometria
O algar A102A revelou ter uma dimensão considerável com um desenvolvimento de 36m e uma profundidade de 32m, com o poço a alargar na sua parte terminal.
Já o algar A102B revelou-se o irmão mais jovem do anterior, as dimensões são bastante mais reduzidas, com apenas 4 m de desenvolvimento planimétrico e uma profundidade de 5 metros.
Pontas soltas
Alguns apontamentos de geologia dos algares
Os algares segundo a Folha 27-A da Carta geológica de Portugal à escala 1/50000 encontram-se na formação de Calcários bioclásticos do Codaçal, formação datada do Batoniano (Jurássico Médio).
O algar A102B pode ser classificado com um colector “vadose shaft” de acordo com a definição de Baroñ, 2003. O controlo estrutural do desenvolvimento da gruta é feito por uma fratura de atitude aproximada N50-60W/Vertical. É muito provável que a génese do algar A102A seja idêntica e pela sua orientação, o seu desenvolvimento deve ser provavelmente controlado pela mesma fratura (N50-60W/Vertical) ou por outra da mesma família.
Topografias
Referências bibliográficas
- Manupella, G., Telles Antunes, M., Costa Almeida, C.A., Azerêdo, A.C., Barbosa, B., Cardoso, J.L., Crispim, J.A., Duarte, L.V., Henriques, M.H., Martins, L.T., Ramalho, M.M.; Santos, V.F.; Terrinha. P.; (2000). Carta Geológica de Portugal – Vila Nova de Ourém, Folha 27-A, á escala 1:50000, e Nota explicativa, Instituto Geológico e Mineiro, Lisboa.
- Baroñ, Ivo (2003) – Speleogenesis along subv ertical joints: A model of plateau karstshaft development: A case study: the Dolný Vrch Plateau (Slovak Republic), Cave&Karst Science 29 (1), 2002, 5-12. 010
